A denúncia feita por familiares do ex-delegado da Polícia Civil, Wladney José da Silva, preso durante o carnaval, acusado de envolvimento num suposto esquema de venda de sentenças por funcionários e juízes, pode motivar um novo escândalo no Poder Judiciário de Alagoas, a exemplo das irregularidades encontradas pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e de uma lista divulgada no Portal da Transparência do Tribunal de Justiça (TJ/AL), que teria casos de nepotismo.

Uma gravação com a conversa entre Cláudio Wlademir da Silva – irmão do ex-delegado - e um servidor comissionado do TJ, revelaria o esquema, que envolveria três desembargadores, dois juízes e um advogado.

A denúncia foi feita à Polícia Federal (PF), em dezembro do ano passado. A gravação foi entregue à PF em fevereiro deste ano, pelo irmão e pela mãe de Wladney.

Ontem, a presidente do TJ-AL, Elizabeth Carvalho, ouviu a gravação e determinou, imediatamente, a abertura de uma sindicância para apurar o caso. Esta seria a segunda correição em curso, já que um grupo de três magistrados também investiga a atuação de juízes de Arapiraca e São Sebastião, no escândalo da DPVAT.

Mais envolvidos
Se for comprovada a participação de magistrados a corregedoria do TJ será a responsável pela investigação do suposto esquema, que pode envolver ainda mais membros do judiciário. Por isso, a documentação já foi enviada ao CNJ.

Na gravação da conversa entre o funcionário do TJ e o irmão do delegado haveria uma negociação para o pagamento de R$ 100 mil a um magistrado e mais R$ 50 mil a outro.

No último dia 14 o ex- delegado se apresentou à polícia e foi encaminhado para a Casa de Custódia. Wladney José teve a prisão preventiva decretada pelo juiz substituto da 4ª Vara Criminal da Capital.

Ele foi acusado de enviar carta ameaçando um desembargador, devido a uma decisão desfavorável em recurso cível. O ex-delegado responderá, inicialmente, por coação no Curso de Processo com pena de 1 a 4 anos de reclusão, prevista no artigo 344 do Código Penal.

Apuração no TJ
O desembargador James Magalhães, que responde interinamente pela Corregedoria do TJ, informou ao CADA MINUTO, que as investigações do caso estão sendo feitas pela presidência do tribunal, pelo fato da gravação envolver um servidor comissionado. Questionado sobre o envolvimento de magistrados, que não participam da conversa, Magalhães destacou que não há nada confirmado.

“É necessário apurar essa denúncia. Caso ela seja comprovada, será iniciado um processo administrativo. Se houver o envolvimento de magistrados é a Corregedoria quem toma as providências. Mas, apenas a presidente do TJ/AL vai decidir como isso será feito”, explicou o desembargador.

Vladson da Silva, irmão do ex-delegado, afirmou não poder revelar detalhes dos documentos enviados à PF, mas destacou que na hora certa a justiça será feita. “Meu irmão foi vítima de uma injustiça e deve ser liberado logo. Na hora certa, tudo será revelado”, disse