A disputa entre líderes do PT e do PMDB para ter nas mãos o comando da CPI da Petrobras beneficia a oposição. A alternativa lançada por alguns petistas para enfraquecer o poder dos peemedebistas seria fechar um acordo com o DEM, deixando na presidência o senador ACM Junior. A relatoria ficaria com um petista.

A preocupação do governo com o PMDB se justifica porque o partido será o fiel da balança da comissão, preenchendo, ao lado do PP, três das 11 vagas titulares.

O histórico do PMDB em CPIs recentes, no entanto, não é animador. Os peemedebistas não atuaram com o governo nas recentes CPIs dos Bingos e dos Correios. O receio do governo é se tornar refém dos peemedebistas que nada fizeram para impedir a criação da CPI. O governo se sentiu abandonado por tradicionais aliados do PMDB, como o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP) e o líder do partido, Renan Calheiros (AL).

Por outro lado, os governistas contam com ajuda de senadores do DEM --o senador Adelmir Santana (DF) chegou a retirar sua assinatura--, que se esforçam para mostrar uma postura mais cautelosa quanto à CPI.

O líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), mudou o tom do discurso nesta quarta-feira e sinalizou que pode buscar um entendimento com a oposição. Jucá disse que o PSDB recuou após pressionar pela instalação da CPI.

"O inicio da relação começou tumultuada, mas o senador Arthur Virgilio [líder do PSDB no Senado] fez ontem no plenário uma mea culpa. Ele fez um discurso registrando que as coisas não precisavam ser dentro do tom que foram iniciadas. Regimentalmente temos o direito de indicar o presidente e o relator, mas tudo isso vai depender da linha que a base do governo queira dar à CPI. tudo isso depende do entendimento dos líderes.", disse.

Jucá disse que foi importante a mudança nas declarações do tucano e reforçou que o governo não tem medo de investigar possíveis desvios na Petrobras. "A CPI da forma como ela foi proposta parecia uma CPI de confronto, efetivamente gerando problemas para Petrobras. Estamos evoluindo na conversa e evoluindo o governo não tem medo da CPI, não teme CPI. O governo tem agido corretamente, fortalecido a Petrobras e vai agir na CPI no sentido de proteger a Petrobras. Mas isso não quer dizer que não se investigue um eventual erro que exista. S e existirem erros, serão corrigidos. O foco não pode ser de paralisar a Petrobras. Isso o governo não vai aceitar", afirmou.