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A simplicidade, a alegria das cores e o brilho das fantasias e chapéus, além da vitalidade dos mestres estão ficando esquecidos no período natalino em Alagoas. Mesmo com tanta tradição, os folguedos alagoanos não têm onde se apresentar na capital. Locais tradicionais como a Praça da Faculdade, Centro, Praça Lucena Maranhão e Jaraguá não têm palcos para as apresentações.

Manter viva a forma autêntica das manifestações folclóricas em Alagoas se torna um desafio cada vez maior no estado. “Estamos praticamente no Natal e meu grupo só fez uma apresentação em uma festa particular para um banco no dia 13 deste mês”, disse o Mestre Benon, do Guerreiro Treme Terra.

Ainda segundo ele, o grupo foi convidado para dançar no povoado Bititinga, mas nada foi confirmado ainda. “Sinto-me muito triste, vai chegar a noite do Natal e a gente vai ficar em casa. Me sinto como uma mosca tonta sem saber o que fazer e isso tira toda nossa força.Hoje, as festa são com bandas e trios elétricos”, frisou Benon, um dos ícones da cultura alagoana.

De acordo com a vice-presidente Fundação Municipal de Ação Cultural (FMAC) Waneska Pimentel, o órgão está fazendo uma festa no dia 23, na praia de Pajuçara, ao lado da feira de artesanato com apresentações de vários folguedos.

“Não foram feitas festas nos locais tradicionais por fatal de verba, mas não trabalhamos com datas pontuais, temos projetos o ano inteiro como no mês de agosto e projetos que levam os mestres para as escolas”, destacou Waneska

Será que o Natal perdeu a graça dos velhos tempos?

Para Josefina Novaes, presidente da Associação dos Folguedos populares de Alagoas (Assopal), há exatos quatros anos Maceió não tem programação em pontos tradicionais. “A festa perdeu a beleza e o encanto. Não sei o que nossos administradores têm contra a cultura popular”, acrescentou.

Para a presidente da Assopal, Alagoas possui mais de 12 folguedos populares natalinos. Ela explicou que a manifestação desta cultura ocorre por meio de sua música, dança e canto, o que refletem as influências recebidas durante o processo histórico de formação de identidade.