Quem esteve na última quarta-feira, no Teatro Deodoro, viu um verdadeiro show de acrobacia e arte de crianças e jovens de Boca da Mata, que hoje integram um dos mais ousados projetos sociais de Alagoas. É o projeto Trampolim, que levou um elenco de apenas 42 artistas, dentre seus mais de 230 integrantes, a fim de exibir a peça “Rosa dos Ventos”, para um evento que segundo um dirigente do próprio teatro, fechou com chave de ouro a programação festiva dos 100 anos daquela casa de show.

Com 40 minutos de duração, o espetáculo narrou à influência do tempo em nosso dia-a-dia e um pouco da realidade dos integrantes do grupo, que vivem em situação de risco social e muitos possuem um histórico familiar de envolvimento com drogas. Eles descobriram na atividade circense, uma nova oportunidade de vida. Com apresentação de malabares, perna de pau e outras práticas circenses, além de uma seqüência de saltos acrobáticos, temas como relacionamento social, interatividade e as novas tecnologias também foram exibidos através das coreografias.

"O projeto Trampolim abrange um leque de coisas maravilhosas. Ele atua com oficinas de dança, teatro, artes visuais e música. Seu objetivo é de promover o desenvolvimento local, proporcionando uma mudança no cenário econômico e social. Para isso; estimula a criação de alternativas de geração de renda, a inserção das famílias na formação educacional dos jovens e o desenvolvimento do empreendedorismo”, argumentou a secretária de Ação Social de Boca da Mata, a primeira-dama Nilza Tenório. “Eu rezei muito para que tudo desse certo; e Deus nos ouviu”, disse ela, logo após a apresentação da garotada, que pela primeira vez esteve no palco do majestoso teatro alagoano.

Conceito e qualidade

A iniciativa do projeto Trampolim vem sendo desenvolvida em Boca da Mata desde 2004, graças a um amplo apoio da Prefeitura, que tem como grande parceiro a Petrobras. De acordo com Gilvan Ciríaco, coordenador do Projeto Trampolim e bicampeão brasileiro de ginástica olímpica e trampolim acrobático; o Projeto Trampolim já foi até selecionado no 1º Congresso Internacional de Pedagogia Social da USP em 2006, com a temática: "A Cultura como Base Tecnológica na Construção do Conhecimento: uma experiência com jovens em situação de risco social" da autora Eugênia Maria de Mendonça Rodrigues. Eugênia estudou durante o período de dois anos, o trabalho realizado no Projeto Trampolim, tendo como palavras-chave: educação não-formal, arte-educação, formação continuada e história de vida.