A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, anunciou nesta terça-feira uma ajuda de emergência de US$ 100 milhões para os mais de um milhão de deslocados pela ofensiva militar no vale do Swat contra o grupo islâmico radical Taleban, no Paquistão.

"O Paquistão está passando por uma grave crise humanitária", disse Hillary em uma entrevista coletiva na Casa Branca, afirmando que a atitude dos EUA é uma resposta ao pedido de ajuda feito por Islamabad diante da grave crise humanitária gerada pelo conflito.

Segundo fontes do governo, o dinheiro deve ser usado para comprar suprimentos como barracas, alimentos, água e produtos diversos para os paquistaneses.

A ajuda humanitária não precisa da aprovação do Congresso porque sai de recursos já existentes. Recentemente, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, anunciou uma ajuda de US$ 1,5 bilhão anuais para o Paquistão como estratégia da guerra contra o terrorismo.

Segundo dados da ONU (Organização das Nações Unidas), 1,171 milhão fugiram do vale do Swat desde o último dia 2 de maio por causa da intensificação dos ataques das forças de segurança paquistanesas contra os integrantes do Taleban estabelecidos naquela região. Esses refugiados irão se unir a outros 565 mil, que vivem no nordeste do país.

Conforme grupos de defesa dos direitos humanos, o atual êxodo é o maior no Paquistão desde a sua separação da Índia, em 1947.

Ofensiva

O Exército paquistanês lançou uma grande ofensiva militar no último dia 26 de abril para reagir aos talebans paquistaneses que tentaram tomar controle do distrito de Baixo Dir e do vizinho Buner, ambos nos arredores do vale do Swat. Segundo o governo paquistanês, a ofensiva deixou centenas de militantes mortos e os afugentou da região.

Os talebans invadiram há cerca de dois anos o vale do Swat, um antigo ponto turístico do país transformado em reduto para os militantes que planejam os ataques às forças de segurança no país e no vizinho Afeganistão.

Em meados de fevereiro, Islamabad assinou um acordo de paz para tentar conter o avanço terrorista. O acordo propunha cessar-fogo em troca da instauração, em Swat e em outros seis distritos, de tribunais islâmicos da sharia.

Em vez de entregar as armas, os radicais islâmicos aproveitaram a oportunidade para tomar o controle os distritos de Buner e Baixo Dir, ficando a cerca de cem km da capital Islamabad. O governo, sob a intensa pressão de Washington, encerrou o acordo e iniciou ofensivas em Swat, e nos distritos vizinhos de Dir e Buner.

Com o acirramento dos confrontos, o governo decidiu suspender um toque de recolher, para facilitar a fuga dos civis. Há relatos de que as estradas de Mingora, principal cidade do Swat, estão engarrafadas com ônibus e caminhões lotados de pessoas.

O governo diz que talebans estão cortando suas barbas (um símbolo de identificação dos insurgentes) para escapar em meio aos civis. Nenhum porta-voz dos talebans comentou as declarações do Exército.

Segundo o primeiro-ministro paquistanês, Yusuf Raza Gilani, a ofensiva só terminará com a rendição dos insurgentes.