Após os fortes índices de demissão no final do ano passado por conta da crise financeira mundial, a geração de novos empregos com carteira assinada chegou a 106.205 em abril, informou nesta segunda-feira o ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi, com dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). Com isto, o saldo de empregos no Brasil em 2009 ficou positivo pela primeira vez no ano.

No acumulado do ano, já foram geradas 5,22 milhões de vagas de postos de trabalho formais, enquanto 5,17 milhões de trabalhadores foram demitidos. "Pela primeira vez no ano, o saldo da geração de empregos foi positivo em 48.454", comemorou Lupi.

Abril também marcou o maior volume de geração de empregos desde setembro de 2008, período pré-crise financeira, quando o número alcançado foi de 282.841 vagas. "O mês de março representou uma virada e o mês de abril consolida essa tendência", disse o ministro.

De acordo com o governo, a confirmação do melhor resultado mensal para 2009 e a crescente retomada da geração de empregos formais "parece indicar a consolidação do quadro de recuperação do emprego". Nos últimos 12 meses, a geração de emprego com carteira assinada teve crescimento de 2,08%, resultado da criação de 651.696 postos de trabalho.

"Somos o primeiro país do G-20 a fortemente crescer. Os Estados Unidos, por exemplo, perderam em abril cerca de 500 mil empregos", disse Lupi.

No quadrimestre, o setor de serviços teve o melhor desempenho, com saldo positivo de 168.529 postos de trabalho. Na avaliação do ministro, com o "otimismo" gerado pelo programa habitacional "Minha Casa, Minha Vida", do governo federal, o setor de construção civil deve ganhar novo fôlego nos próximos meses, ampliando o atual saldo de 43.677 vagas criadas no ano.

"Criou-se uma a cadeia de otimismo no setor. Tem muito investimento sendo feito nessa área. A construção civil vai ser melhor que foi até agora", estima.

Coube ao Estado de São Paulo o posto de maior gerador de empregos em abril, com saldo positivo de 72.022 empregos formais. "São Paulo volta a ter grande produção. É o principal marco dessa virada. São Paulo dá sinal forte de recuperação, voltando a ser a locomotiva do crescimento", disse o ministro, que estimou que até o final do ano terão sido gerados "mais de um milhão de empregos" (de saldo).

Projeções

"Sou o lado otimista. Esse mês de abril consolida nossa previsão. O Brasil vai viver a partir de agora um gráfico inverso do que aconteceu em outros períodos. Vamos agora ter acúmulo de resultados positivos. (Teremos saldo de) Mais de 1 milhão de empregos para 2009 e um crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) entre 2% e 2,5%", explicou Lupi ao traçar perspectivas para os próximos meses.

"O Brasil está dando demonstrações inequívocas de recuperação", concluiu.