Familiares das vítimas do voo TAM JJ3054, que explodiu no prédio da empresa, no Aeroporto de Congonhas, em julho de 2007, deixando 199 mortos, reuniram-se ontem (16), na capital paulista, com o procurador da República Rodrigo de Grandis, responsável pelo inquérito no Ministério Público Federal em São Paulo. Eles falaram sobre as investigações que estão sendo feitas na esfera federal. O advogado criminalista que representa as famílias, Eduardo César Leite, também participou do 19º encontro dos familiares.

 

Segundo o procurador da República Rodrigo de Grandis, as investigações sobre as causas e culpados do acidente devem ser concluídas nos próximos meses, mas pelo fato de o inquérito policial correr em segredo de Justiça, não há como adiantar detalhes. “Não posso adiantar nada, mas o inquérito corre em uma velocidade que eu considero razoável, e vamos esperar que nos próximos meses o Ministério Público Federal possa se manifestar conclusivamente sobre isso”. Ele preferiu não determinar prazos para a conclusão do inquérito.

 

O presidente da Associação dos Familiares e Amigos das Vítimas do Voo TAM JJ3054 (Afavitam), Dario Scott, afirmou que o desejo dos familiares das vítimas é que seja imputada a pena máxima aos culpados pelo acidente. “Isso é o que estamos discutindo com o Ministério Público Federal, com o apoio do advogado. Queremos que os culpados pelo acidente paguem perante a Justiça, não só para nós familiares mas para a população brasileira de uma forma geral”.

 

O advogado da Afavitam, Eduardo César Leite, ressaltou que mesmo que o Ministério Público e ele estejam do mesmo lado, buscando a punição dos culpados, há visões antagônicas sobre o tipo de crime cometido. Na conclusão da Polícia Civil, o crime foi tipificado como atentado contra a segurança do transporte áereo, e o Ministério Público caminha nessa direção. Já o criminalista considerou que foi cometido um crime com dolo eventual, ou seja, quando o autor sabe do risco e assume esse risco.

 

“Isso remeteria o processo para o tribunal do júri e sete jurados seriam responsáveis pelo julgamento. Então, estamos discutindo a questão das teses que continuam antagonizadas e isso é um prejuízo, porque todos os requisitos necessários para o oferecimento da denúncia do dolo eventual estão configurados ao meu ver”.

 

Os familiares das vítimas continuam reunidos em São Paulo, onde participam de ato ecumênico. Hoje (17), eles fazem uma manifestação no Aeroporto de Congonhas.