PF muda foco de operações para manter prisão de acusados

  • antoniomelo
  • 16/05/2009 19:33
  • Brasil/Mundo

Cansada de efetuar prisões que cinco dias após suas operação perdiam o efeito, a Polícia Federal (PF) decidiu mudar de tática e priorizar investigações com provas mais contundentes, de forma que o Poder Judiciário não encontre brecha para liberar os envolvidos.


A priorização de prisões preventivas - que exigem uma quantidade maior de provas para serem concedidas - ao invés de temporárias vem sendo implantadas desde meados de 2007 e alguns resultados já são observados.


No ano passado, por exemplo, a PF fez 235 operações, que resultaram em 2.475 prisões, sendo 60% delas preventivas. Para este ano, a expectativa é de aumentar o percentual desse tipo de prisão.


Evitando fazer qualquer relação com a Operação Satiagraha - que colocou a corporação na mira de diversas críticas pelo "espetáculo" e pela falta de prisões efetivas - o diretor executivo da PF, Luís Pontel de Souza, explica que a idéia é de fazer cada vez mais operações discretas com um número cada vez maior de prisões preventivas.


"É claro que a gente se preocupa muito mais quando vêm à tona coisas desse tipo, mas essa sempre foi uma preocupação: evitar a superexposição das pessoas e buscar uma melhoria da prova", explica.


Segundo ele, estão sendo realizados cursos para que os policiais federais sejam treinados a dar essa prioridade em suas investigações. "Estamos procurando qualificar melhor nossos policiais, melhorar a atuação da polícia. O objetivo é buscar provas mais robustas, que não deixe dúvidas para nenhum juiz, valorizar o nosso trabalho e blindar a polícia, porque a boa prova passa a ser irrefutável", afirma.


A cúpula da PF nega que a operação que levou pra trás das grades o banqueiro Daniel Dantas e o ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta tenha sido a grande motivadora destas mudanças. Mas, nos bastidores, a avaliação é que a enxurrada de críticas do Poder Judiciário ao trabalho da PF depois desta operação fez com que a forma de atuação fosse repensada.


"Eu não diria que (a Satiagraha) foi um divisor de águas nesse sentido, agora, que se toma cautela e que se fazem ajustes a partir dessa situação, isso com certeza", disse.


No calor das críticas à metodologia utilizada pelo delegado Protógenes Queiroz nesta operação, o presidente do STF, Gilmar Mendes, passou a defender a criação de um órgão que faça um controle externo da PF.


O diretor-executivo da corporação, no entanto, avalia que ao atual controle feito pelo Ministério Público é suficiente. "Além disso, o próprio controle da mídia e da sociedade é o maior controle que temos", afirmou.