Uma equipe formada por profissionais do Instituto Fernandes Figueira (IFF), ligado à Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), embarcará neste mês para Moçambique, na África, com o objetivo de treinar médicos e enfermeiros das áreas de neonatologia e obstetrícia. Além disso, a missão vai ajudar na implantação de um serviço específico de neonatologia no Hospital Central de Maputo, inexistente no país.


A iniciativa faz parte de um acordo de cooperação entre a Fiocruz e os ministérios da Saúde dos países de língua portuguesa daquele continente. De acordo com o assessor de cooperação internacional da Fundação, Carlos Linger, os índices de mortalidade materno-infantil em Moçambique são considerados elevados pelas autoridades locais, embora não exista uma estatística oficial que aponte os números com exatidão.


Outro indicador, no entanto, confirma as dificuldades que a população moçambicana enfrenta no acesso aos serviços de saúde: com mais de 20 milhões de habitantes, o país conta com somente 26 mil profissionais de saúde para atender toda a demanda.


"São indicadores altamente preocupantes. Falta material e capacitação de recursos humanos", afirmou Linger. "Além disso, nas grandes cidades a população encontra hospitais, mas se você se afasta um pouco em direção ao interior, existem muitas dificuldades de se chegar, por exemplo, a um posto de saúde."


Ele explicou ainda que, desde o início do projeto, em 2008, foram enviadas outras três missões brasileiras semelhantes, que treinaram mais de 250 profissionais de saúde, principalmente em Maputo, capital moçambicana. A missão atual vai trabalhar na capacitação de 110 profissionais na cidade de Beira, onde a situação, segundo Carlos Linger, é ainda pior.


O acordo de cooperação prevê também a participação de profissionais de saúde moçambicanos em programas de estágio no Brasil, como é o caso da pediatra Yassmin Mussa.


"Em Moçambique faltam cursos, especialmente de qualificação. Existem pediatras, mas não especializados, por exemplo, na área de neonatologia. Outro problema que temos por lá é a defasagem tecnológica", afirmou a pediatra moçambicana. "Com certeza, essa parceria está possibilitando uma troca muito intensa de conhecimento. Quando eu voltar, terei uma responsabilidade muito grande de transmitir o que estou aprendendo."