A Eletrobrás investirá até R$ 16 bilhões em seis usinas que vai construir em parceria com o Peru. Essas hidrelétricas poderão gerar em torno de 7 mil megawatts (MW), devendo começar a operar entre 2010 e 2014. As usinas atenderão preferencialmente o mercado brasileiro, segundo informou ontem (15) o presidente da Eletrobrás, José Antônio Muniz Lopes, durante seminário sobre integração energética entre os dois países, realizado no Rio.

 

“Inicialmente o projeto previa a construção de quatro usinas voltadas exclusivamente para o Brasil, mas decidimos que não seria possível, e politicamente correto, deixar o mercado peruano de lado”, disse Muniz Lopes.

 

Segundo a Eletrobrás, os empreendimentos em estudos no âmbito da primeira etapa da parceria Brasil-Peru, são os seguintes:  Paquitzapango (1.380 MW);  Sumabeni (1.080 MW); Urubamba (950 MW); Cuquipampa (800 MW); Vizcatan (750 MW), e Inambari (2.000 MW).

 

De acordo com Muniz Lopes, o projeto completo prevê a construção de 15 usinas. “Ainda estamos construindo a parceria para esse investimento. Inicialmente já há manifestação de interesse da empreiteira OAS e da peruana GTZ, que participaram do projeto de previsibilidade da obra.”

 

A assessoria de imprensa da Eletrobrás informou que, para o secretário de Planejamento Energético do Ministério de Minas e Energia, Altino Ventura, a construção das usinas tem de ser alvo de um tratado entre os dois países para garantir maior segurança para o empreendimento e a geração de energia. “Somente um tratado, a exemplo do que existe hoje com o Paraguai, para Itaipu, e com a Bolívia, para o fornecimento de gás natural, garante estabilidade para além de governantes e impede uma modificação das regras a esmo”,disse Ventura.

 

Ex-presidente da Eletrobrás, Altino Ventura observou, entretanto, que o tratado não impede uma rediscussão das regras caso uma das partes assim o queira. “É o que está acontecendo hoje com o Brasil e o Paraguai. Mas, com o tratado, essas mudanças ficam mais dificultadas e evitam abusos na alternância de poder, já que o contrato é para geração de energia por mais de 20 ou 30 anos”, afirmou.