Uma pesquisa transformou em números o aborrecimento cotidiano de milhões de brasileiros com os engarrafamentos de trânsito. As grandes metrópoles são as cidades que mais sofrem com o aumento do número de carros nas ruas. Nas quatro capitais pesquisadas, São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Porto Alegre, os congestionamentos estão mais frequentes e cada vez maiores.

 

A pesquisa mostrou ainda que aumentou o número de carros com apenas uma pessoa. Nunca cada metro quadrado foi tão valioso. Tantos nós no dia-a-dia reduziram, nos últimos quatro anos, a estimativa de tempo para que o trânsito pare de vez. Em São Paulo, o prazo caiu de cinco anos para quatro anos. No Rio, de dez para nove. Em Porto Alegre e Belo Horizonte, de 15 para 12 anos.

 

A primeira explicação: recorde na venda de carros. E a segunda, infraestrutura. O impacto de um veículo a mais nas capitais de Minas e do Rio Grande do Sul é três vezes maior do que no Rio e em São Paulo, metrópoles mais preparadas para trânsitos pesados.

 

Os pesquisadores também contaram a quantidade de carros nos congestionamentos. São cerca de 750 a cada quilômetro. E a partir da renda média do brasileiro, concluíram que empresas e trabalhadores perdem uma fortuna toda vez que o trânsito para.

 

“Esse número representa em hora/salário e número de veículos, R$ 4 bilhões de prejuízos por ano. Com esses R$ 4 bilhões nós poderíamos construir cerca de 40 quilômetros de linhas de metrô. Mais que dinheiro, o motorista perde qualidade de vida”, diz Paulo Resende, da Fundação Dom Cabral.