Ceará, Maranhão e Piauí, os três Estados mais atingidos pelas chuvas das últimas semanas no País, receberam menos de 1% do valor aplicado em programas de prevenção contra enchentes do governo federal. A informação é da ONG Contas Abertas. Nos três Estados, 542.759 pessoas foram atingidas, de alguma forma, pelas chuvas. O número representa cerca de 47% do total de afetados pelas enchentes em todo o País, que chega a 1.150.900 pessoas.

 

Segundo levantamento da organização, Ceará e Piauí, juntos, receberam R$ 757 do programa "prevenção e preparação para emergências e desastres", para o qual a Presidência desembolsou R$ 12,3 milhões até abril deste ano. O valor foi dividido entre os dois, que receberam R$ 336,56 e R$ 420,56, respectivamente. O Maranhão não recebeu nenhum valor relativo a esse programa.

 

De acordo com a ONG, o investimento do governo federal em prevenção para os 13 Estados atingidos pelas chuvas no Brasil foi de cerca de R$ 3,3 milhões. No entanto, apenas Bahia, Ceará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Santa Catarina receberam recursos. Para Acre, Alagoas, Amazonas, Maranhão, Pará e Sergipe não há o registro de envio de valores detinados à prevenção de desastres.

 

Por meio do programa "resposta aos desastres", que envia recursos após a ocorrência do problema, o governo liberou R$ 228,6 milhões este ano, segundo levantamento da Contas Abertas.

 

A professora da Universidade de Brasília (UnB) e pesquisadora do laboratório de climatologia geográfica Juliana Ramalho creditou a falha da política de prevenção aos políticos, que, segundo ela, não encaram a prevenção como prioridade, prevalecendo assim a cultura de remediar o problema. "Não constroem obras debaixo da terra, como águas pluviais, porque ninguém vê. Além dessa falta de interesse, as obras de prevenção são difíceis de serem executadas, caras, trazem transtornos iniciais e incluem remoção de população", disse Juliana.

 

Perguntado sobre os motivos que levaram à falta de investimento na prevenção de desastres naturais nos Estados do Norte e Nordeste do País, o Ministério da Integração Nacional não quis comentar o assunto, segundo a organização.