As instituições financeiras do País apostam na manutenção da velocidade de alta de 14,2% das operações de crédito da carteira total para 2009, aponta a pesquisa Febraban de Projeções Macroeconômicas e Expectativas de Mercado realizada em maio. O dado anterior sobre este e outros indicadores macroeconômicos foi apurado em março. Na avaliação do economista-chefe da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Rubens Sardenberg, a concessão de financiamentos para empresas e famílias está se normalizando e deve, nos próximos meses, continuar em franco processo de evolução.

Para Sardenberg, na medida em que o nível de atividade doméstico vai gradualmente mostrando sinais de melhora da demanda agregada, a tendência é os financiamentos apresentarem bom ritmo de expansão inclusive porque os juros básicos da economia estão em processo de queda.

A pesquisa aponta que a Selic deverá fechar o ano em 9,25%, o que pressupõe mais dois cortes de 0,5 ponto porcentual cada nas próximas reuniões do Banco Central (BC), destacou o economista. Perguntado pela Agência Estado se a melhora da disposição de liberação de crédito pelos bancos comerciais privados não estaria relacionada com o aumento expressivo da presença das instituições públicas nesse segmento de mercado, ele ponderou: "O principal fator nessa questão é a recuperação da economia e a retomada da demanda por financiamentos pelo público em geral."

A pesquisa aponta uma ligeira queda da magnitude de alta das operações de crédito para as pessoas físicas de 13,9% para 13,7% neste ano. No caso do nível de incremento da concessão de financiamento às empresas, a redução foi mais expressiva, pois variou de uma alta de 15,8% para 14,6%.

Crise

Um dos elementos prováveis que devem causar essa diminuição um pouco maior da velocidade de crédito às companhias é que a crise internacional dificultou as condições para financiamento, além do que reduziu de forma expressiva os investimentos das corporações.

De acordo com a pesquisa, a formação bruta de capital fixo deve cair 0,7% neste ano, enquanto a produção industrial deve apresentar um recuo de 2,9%. Embora a previsão para a taxa de inadimplência média para empresas e pessoas físicas acima de 90 dias tenha aumentado de 5,4% para 5,9% ao fim de 2009, o economista-chefe da Febraban pondera que este indicador não deve interferir de forma significativa nas intenções dos bancos de continuar a liberar financiamentos aos seus clientes.

"Esse dado de inadimplência, de uma certa forma, é um indicador já esperado pelos analistas em função da redução do ritmo do nível de atividade causada pela crise. Nesse sentido, o ritmo de expansão da concessão de crédito pelos bancos não deve diminuir de modo substancial."

PIB

A pesquisa, realizada com 31 instituições financeiras, aponta ainda uma redução da projeção do Produto Interno Bruto (PIB) para 2009 de alta de 0,30% realizada em março para -0,01%. "Embora tenha ocorrido uma ligeira queda na previsão atual para o Produto Interno Bruto, acredito que a tendência é de as próximas pesquisas não apontarem mais piora, e o indicador deve ficar próximo deste patamar", comentou Sardenberg.

Apesar da redução da média das estimativas dos analistas de bancos, Sardenberg ressaltou que esta foi a reunião que apresentou um quadro geral mais estável em relação à economia brasileira, desde que assumiu o cargo, em setembro, uma data bem próxima ao anúncio da concordata do Banco Lehman Brothers.

A percepção dos analistas manifestada nas projeções de indicadores macroeconômicos já levam em consideração a melhora do humor dos investidores internacionais em relação ao Brasil, o que está gerando elevações sequenciais do Ibovespa e contínua apreciação do real ante o dólar dos Estados Unidos.

A previsão para o câmbio no fim do ano variou de R$ 2,29 para R$ 2,17. Como há sinais incipientes de leve redução do vigor da recessão mundial, os preços das commodities apresentam evolução. Esse foi um dos motivos que levou os especialistas a aumentar a projeção do superávit comercial para este ano de US$ 13,8 bilhões para U$ 17,3 bilhões.

Como contrapartida dessa melhora do salto das exportações em relação às importações, a projeção média para o déficit de transações correntes caiu de US$ 20,4 bilhões para US$ 14,1 bilhões. Os investimentos estrangeiros diretos (IED) também devem registrar uma elevação com um desempenho mais favorável dos fluxos de capitais para o País, o que aumentou a projeção do IED de US$ 21,3 bilhões para US$ 22,7 bilhões.

Por enquanto, os analistas do mercado estão um pouco cautelosos com a tendência de queda da inflação neste ano em função da crise internacional, pois a média das estimativas colhidas pela pesquisa indicou um aumento do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 4,3% para 4,4% ao fim deste ano.