A bancada do PT na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul começa a coletar hoje assinaturas para pedir a instalação de uma CPI para investigar as denúncias contra o governo de Yeda Crusius (PSDB). Segundo o líder da bancada, deputado Elvino Bohn Gass, o pedido de investigação deve ser da Casa e não apenas de um partido.

"Há um desejo de vários deputados de vários partidos para investigar as denúncias. Vamos ver quem vai assinar ou não [o pedido de CPI]", afirmou o líder petista, ao lembrar que o debate no plenário começará às 14h.

A Assembleia gaúcha tem 55 deputados e são necessários 19 parlamentares favoráveis à investigação para protocolar o pedido de CPI. Juntos, PT e PDT reúnem 15 parlamentares. PC do B e PSB também estariam dispostos a assinar, segundo o petista.

O apoio do PMDB será decisivo para Yeda se livrar da CPI, informa hoje o "Painel" da Folha, editado por Renata Lo Prete (a íntegra está disponível para assinantes do jornal e do UOL).

Para evitar a abertura de uma CPI, os tucanos se comprometeram a fazer com que Yeda não tente a reeleição. A proposta prevê ainda o apoio do PSDB ao peemedebista José Fogaça ao governo do Rio Grande do Sul, informa a coluna.

Novas denúncias

Segundo reportagem da revista "Veja" desta semana, gravações feitas pelo empresário Lair Ferst, um dos ex-coordenadores da campanha tucana em 2006, revelam que Carlos Crusius --marido de Yeda-- teria recebido R$ 400 mil em espécie. As gravações mostrariam uma conversa entre Ferst e Marcelo Cavalcante, ex-assessor de Yeda, encontrado morto em fevereiro, em Brasília.

Para a revista, os áudios mostram que Cavalcante admite que, depois do segundo turno da eleição de 2006, coletou R$ 200 mil da Alliance One e outros R$ 200 mil da CTA Continental, empresas de fumo.

Em entrevista ao jornal "Zero Hora", Carlos Crusius disse que nunca viu "R$ 400 mil juntos" na vida. Yeda também nega a existência do caixa dois.

O PSOL apresentou ontem novos documentos que, segundo o partido, reforçam a denúncia sobre o suposto caixa dois na campanha eleitoral da governadora Yeda.

Segundo a deputada Luciana Genro (PSOL-RS), os documentos também demonstram que o marido de Yeda seria um arrecadador informal da campanha e ficava com parte do dinheiro para benefício pessoal.