Walter Carvalho apresentou nesta segunda-feira (11) seu mais recente filme, “Budapeste”, à imprensa em São Paulo. O longa-metragem, baseado no livro homônimo de Chico Buarque, conta a história de um “ghost writer” (Leonardo Medeiros) que se divide entre dois amores, em duas cidades. No Rio de Janeiro, ele é casado com Vanda (Giovanna Antonelli), uma famosa apresentadora de telejornal. E em Budapeste ele se apaixona por Kriska (a atriz húngara Gabriella Hámori).

“É uma tarefa complicada fazer algo com o Chico [Buarque], porque ele pensa e você já começa a elogiar, antes de ele falar”, afirma o cineasta, convidado por Rita Buzzar –roteirista e produtora– para dirigir o longa-metragem, que chega aos cinemas em 22 de maio. “A Rita foi quase uma visionária quando adquiriu os direitos do livro do Chico”, elogia Carvalho.

Rita conta que, quando finalmente conseguiu convencer Buarque de que seu livro poderia ser transposto para o cinema, passou a contar com sua colaboração também no roteiro. “Ele foi muito generoso durante todo o processo. Leu duas versões do roteiro. Criamos coisas que não havia no livro, para compor o filme, e ele sempre acompanhou e ficou de acordo. Não queríamos que nada ficasse estranho ao imaginário dele.”

Visões da Hungria

A atriz húngara Gabriella Hámori, no país para o lançamento do filme, foi só elogios ao povo brasileiro. "Gosto das pessoas, elas me inspiram confiança. Ando pelas ruas e vejo como as construções são tão diferentes da de Budapeste", contou a atriz, que se disse encantada pela musicalidade da língua portuguesa, falada o tempo todo pelo diretor no set de filmagem.

"Escutá-lo falando português me chamou a atenção, ouvir a musicalidade das palavras... Eu entendia exatamente o que tinha de fazer em cadacena não apenas pelas frases dele, mas a partir da entonação e do que ele fazia."

A atriz afirmou que o livro de Chico Buarque, no entanto, não foi tão bem recebido pelos húngaros. "As pessoas que leram o livro gostaram, mas não penetrou fundo. Há muitos clichês sobre a Hungria, e talvez isso tenha influenciado", analisa.

O autor já afirmou que escreveu "Budapeste" antes de conhecer a cidade. "Tinha uma ideia onírica dela. Quando a conheci, fiquei com medo de encontrar na realidade uma coisa que imaginei tanto, e foi engraçado porque muita coisa que eu tinha sonhado realmente correspondia à realidade -embora o livro nunca tenha tido essa intenção porque não é realista."