Único aliado na luta contra a gripe suína, o medicamento Tamiflu já não pode mais ser encontrado nas prateleiras das farmácias. O laboratório Roche, responsável pela distribuição do medicamento no Brasil, informou que todo o estoque do remédio foi entregue ao Ministério da Saúde, a pedido do governo. No total, 6.250 tratamentos adultos e outros 6.250 pediátricos foram enviados no fim de abril. Como o produto possui custo alto e a demanda das farmácias costuma ser pequena, é praticamente impossível, mesmo com prescrição médica, encontrar a cartela com 10 comprimidos – como é comercializado o Tamiflu.

 

– Seria uma medida de prevenção. É uma pena que todos os remédios tenham sido enviados para o Ministério – frisou Edmilson Mogovisk, infectologista da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

 

O Ministério da Saúde afirma possuir 12.500 cápsulas do medicamento e mais de 9 milhões de unidades do principal componente do Tamiflu em estado bruto em seus estoques – que serão usadas caso haja uma epidemia. Mesmo tendo poucos casos confirmados, o Ministério negocia ainda a compra de mais 800 mil tratamentos prontos para consumo. Todos os pacientes que apresentarem sintomas da doença, mesmo que atendidos em hospitais particulares, devem ser encaminhados a uma unidade de referência como o Hospital do Fundão, no Rio.

 

O Tamiflu é composto por 58,5 miligramas de fosfato de oseltamivir, equivalente 75 miligramas de oseltamivir – combatente do Influenza A, variação do vírus responsável pela gripe suína. Sem poder contar com o remédio como forma de prevenção, Mogovisk sugere outras medidas para evitar o contágio da doença.

 

– Um dos infectados contraiu a gripe suína bebendo no mesmo copo do amigo. É prudente evitar esse tipo de ação com pessoas que apresentem os sintomas – comentou – A higienização do indivíduo, lavar as mãos por exemplo, é um hábito que deve ser adotado – disse.

 

Quanto ao uso de máscaras preventivas, o médico reitera a posição de outros colegas e acha desnecessária a utilização por parte da população em geral. Porém, faz um apelo às pessoas que apresentem os sintomas da influenza A (H1N1).

 

– Seria bom se essas pessoas usassem a máscara. Para a população, ainda não vejo necessidade – disse.

 

Vitamina C

 

Bairro que abriga as três pessoas infectadas, a Ilha do Governador registra aumento na procura de remédios que contenham vitamina C. No entanto, especialistas não afirmam que a chegada da gripe suína seja a causa da demanda.

 

– Dez pessoas foram diretamente falar comigo e pedir medicamentos. Estamos vendendo mais remédios com vitamina C, sim. Mas isso é normal nessa época do ano. Não dá para dizer que é por causa da gripe suína. – disse Tiago Moreira, 27 anos, farmacêutico de uma loja próxima ao Galeão, que não vende as máscaras antigripe e também não chegou a ser consultado para consumo.