O presidente do TRE-RJ (Tribunal Regional Eleitoral), desembargador Alberto Motta Moraes, afirmou ontem que as operações para coibir a propaganda eleitoral irregular que ocorreram em 2008 na cidade devem ser repetidas nas eleições do ano que vem. Segundo ele, as medidas começarão a ser colocadas em prática já a partir do dia 1º de janeiro, primeiro dia de vigência do calendário eleitoral de 2010.

 

No ano passado, a pedido do TRE-RJ, cerca de 3.500 militares ocuparam favelas do Rio faltando um mês para as eleições, na chamada Operação Guanabara. O objetivo foi coibir a imposição de candidatos em áreas da cidade controladas por traficantes e milicianos, por meio de ameaças aos eleitores.

 

Em palestra no seminário "Crime Organizado", Moraes admitiu que, mesmo com todas as medidas tomadas no ano passado, a operação não surtiu o efeito desejado. "Nem a presença das Forças Armadas nas comunidades impediu a eleição dos candidatos que representavam os chefes dos currais", afirmou.

 

O desembargador também atribuiu aos eleitores parte da culpa pela atual crise no Congresso. "Porque somos nós que escolhemos, pelo voto, quem vai nos representar", disse Moraes. "O fato de um candidato ser o seu amigo não pode ser o único fato para ele merecer o seu voto."