A Petrobras divulgou ontem (11) que teve lucro líquido de R$ 5,816 bilhões no primeiro trimestre de 2009, uma queda de 19,6% em relação ao resultado do mesmo período do ano passado (R$ 7,239 bilhões).

 

Segundo o diretor financeiro e de relações com os investidores da Petrobras, Almir Barbassa, foi o aumento da produção de petróleo o principal componente do lucro líquido da companhia.

 

"Temos capacidade de crescimento na produção de mais de 300 mil barris por dia, que certamente virá ao longo do ano", afirmou o executivo, em entrevista em que comentou os resultados financeiros da estatal no trimestre.

 

A receita líquida somou R$ 42,595 bilhões e foi 9% menor do que a verificada no mesmo intervalo do ano anterior. Barbassa disse que a redução se deve à queda do preço do petróleo no mercado internacional.

 

O diretor afirmou ainda que a queda no preço do produto importado contribuiu para uma retração de 13% no custo do produto vendido pela estatal no período.

 

A margem Ebitda da companhia subiu dois pontos porcentuais, para 32%.

 

O diretor lembrou ainda que os custos foram pressionados pelo maior volume de sísmicas que estão sendo feitas. Quando isso ocorre, há uma maior quantidade de poços secos, o que, na prática, eleva o custo da companhia por poço, de acordo com Barbassa.

 

A redução do lucro líquido, segundo o diretor financeiro, é resultante também de uma alteração nas despesas financeiras. "Temos neste trimestre um nivel de endividamento maior. Temos mais juros incorrendo sobre essa dívida e também o efeito cambial", ressaltou Barbassa, em em entrevista sobre os resultados.

 

Ele ressaltou também a mudança de cenário entre 2008 e 2009, depois do "estouro" da crise, em setembro do ano passado. "No ano passado o real estava valorizando, e nesse trimestre passou por um período de desvalorização. Teve um saldo nesse trimestre superior ao do ano passado em termos de despesas financeira", frisou o executivo.

 

Os investimentos atingiram R$ 14,4 bilhões e foram feitos, de acordo com a empresa, utilizando "principalmente a geração própria de caixa da companhia". A companhia informou que, para completar os valores a serem investidos, captou US$ 5,6 bilhões no mercado financeiro.

 

"Mesmo durante este período de instabilidade e incertezas continuamos investindo, confiantes de que temos um dos melhores portfólios de projetos e oportunidades do mundo. Com eficiência e disciplina de capital estamos confortáveis quanto à nossa capacidade de geração de caixa e de acesso a financiamentos", ressaltou o presidente da empresa, José Sérgio Gabrielli, na nota divulgada ao mercado.

 

As exportações da estatal cresceram 16% em relação ao primeiro trimestre de 2008. Segundo Barbassa, o aumento se deu em razão do crescimento da produção combinado com a redução da demanda no Brasil, o que implicou em um volume maior de produtos destinados ao exterior.

 

"Tivemos uma queda das vendas no mercado doméstico e a exportação cresceu, porque foi o aumento de produção mais o que deixou de ser colocado no Brasil", disse.

 

"Para nós isso é ruim, porque o mercado doméstico é o que é mais conveniente para nós", afirmou, referindo-se a questões de logística e custos maiores.

 

As vendas internacionais foram 22% superiores em igual comparação, principalmente pela inclusão dos volumes vendidos pela refinaria do Japão, adquirida em 2008.