O casal Igor e Renata Tonassi, aprovado no último concurso para auditor da Receita Federal, dá a receita para quem pretende fazer carreira no órgão: é preciso muita dedicação e disciplina.

 

Eles afirmam que, às vésperas do concurso, em 2005, estudaram mais de dez horas por dia, até mesmo nos sábados, domingos e feriados.


Confira lista de concursos e oportunidades

No fim de abril, o governo federal autorizou 1.150 vagas de nível superior na Receita com salários que superam os R$ 13 mil.

 

O concurso era um dos mais esperados para este ano e, pela legislação, o edital sai até o fim de outubro. Procurado pelo G1, o órgão diz ainda não haver previsão para o lançamento.


Igor, de 28 anos, era oficial da Marinha e pediu desligamento do trabalho em 2004 para se dedicar exclusivamente aos estudos para a carreira pública.

 

"Eu larguei a Marinha porque não queria seguir a carreira. Paga mal e não era o estilo de vida que eu desejava", conta Igor.

Ele disse que estudou 12 meses e, como em uma profissão, "batia ponto" no estudo. "Começava às 9h e ia até o fim da tarde. Eu tinha disciplina. Era como uma profissão e eu queria entrar num concurso o quanto antes.

 

"Durante a preparação, Igor contava com a ajuda financeira dos pais. Ele estima ter gastado mais de R$ 10 mil com livros de estudo e cursos.

"Tem que saber dizer não para boate, para amigos, e ter certeza de que é temporário. Como recompensa, o dia a dia dele vai vir com muito mais qualidade", diz Igor lembrando que nunca conseguia sair com amigos e nem namorar.

Mas foi em meio aos estudos para concurso público que reencontrou uma velha amiga, a dentista Renata. Eles contam que estudaram juntos em várias ocasiões para a prova da Receita.

Diferentemente de Igor, Renata, atualmente com 29 anos, não conseguiu deixar o trabalho para se dedicar exclusivamente aos estudos.

"Eu tinha que trabalhar. No início, eu estudava à noite e aos fins de semana. Depois, reduzi o trabalho para três vezes por semana e estudava nos outros dias", lembra Renata.

Ela afirmou que, quando trabalhava, conseguiu juntar em uma poupança, dinheiro suficiente para se manter no período em que tivesse de parar de trabalhar. Ela estima ter gastado pelo menos R$ 7 mil com cursos e livros.

"Eu tinha foco no estudo. Só trabalhava porque precisava. Concurseiro que estuda para valer, não namora, não faz nada", diz.

Lançamento do edital

Após o edital ser lançado, os dois intensificaram os estudos. Igor passou a estudar onze horas diariamente e Renata, até 14 horas.

 

"Quando o edital saiu, larguei o trabalho e estudava de 12 a 14 horas por dia", diz Renata.

Já Igor, lembra que não tinha sábado, domingo e nem feriado. "Aumentei a carga de estudo para onze horas por dia. Minha vida pessoal ficou deteriorada."

A dedicação intensiva aos estudos trouxe resultados para o casal: os dois foram aprovados para o cargo de auditor fiscal no fim de 2005. Atualmente, ele trabalha em Brasília e ela, em Santarém (PA).

Renata disse que optou pela 2ª região, que inclui o Pará, porque não se sentia plenamente preparada e historicamente a região tinha menor concorrência. "Eu tinha que trabalhar e não tinha o mesmo tempo que o Igor para estudar. Não me sentia tão preparada quanto ele."

 

Dicas

A principal dica do casal para quem quer entrar na Receita federal é procurar os melhores professores da área fiscal e se preparar com base nas matérias do edital anterior - veja no final do texto edital e provas do concurso anterior.

"A gente focou nos editais antigos, e nas matérias de direito constitucional, tributário, administrativo e contabilidade. Tem que estar afiado porque essas matérias concentram a maior parte da pontuação", afirma Igor.

O auditor diz ainda que é preciso estar preparado para matérias inesperadas. "No concurso que nós fizemos, o edital trouxe seis matérias que ninguém suspeitava, entre elas direito internacional, previdenciário e finanças públicas. Isso dificultou porque se tinha pouco tempo." Igor diz que o edital foi publicado cerca de um mês antes da prova.

 

Distância

Embora Igor e Renata tenham sido aprovados para cidades diferentes, eles se veem com certa frequência. Ela entrou para a Unafisco (Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal) e precisa estar em Brasília para reuniões e outras atividades.

Renata é diretora de defesa profissional do sindicato e, segundo ela, cuida dos interesses pessoais dos auditores fiscais de todo o país.

"No início, ela vinha para Brasília de 15 em 15 dias. A gente começou o namoro em abril de 2007 e a eleição dela no sindicato facilitou bastante, porque ela tinha de vir. A diretoria veio a ser alento para o nosso namoro. Depois a gente noivou e casou em junho de 2008. Não foi fácil, namoro e noivado à distância. Sempre com muita saudade, mas a gente foi levando", diz Igor.

O casal diz que já pediu oficialmente tanto a transferência dela para Brasília como a dele para Santarém para morarem juntos, mas os pedidos foram indeferidos. A alegação, segundo eles, é que o critério de transferência não vale para quem casou depois de ser aprovado.

A expectativa é de que junto com o concurso que a Receita lançará em breve, seja aberto um concurso interno. Renata então tentará uma vaga em Brasília.

"Nossa intenção é com esse novo concurso eu conseguir remoção. Queremos então ter filhos e criá-los aqui em Brasília. A qualidade de vida é boa, há muitos aspectos de cidade de interior, principalmente em relação à violência, que não é tão grande", analisa Renata.