Com o forte desenvolvimento do setor da química e do plástico em Alagoas, surgiu a necessidade de organizar ainda mais a infraestrutura (insumos, área, mão de obra qualificada) oferecida. Motivado pelo mercado crescente, o governo do Estado e as instituições parceiras do setor produtivo desenvolvem ações e política que atendam às empresas já existentes e às novas.

De acordo com a Secretaria de Estado do Desenvolvimento Econômico, Energia e Logística (Sedec), já estão em fase de instalação mais 12 novas empresas. Ao todo, são 56 empreendimentos na área, nas cidades de Maceió, Marechal Deodoro e Arapiraca.


Há mais de um ano em funcionamento no Polo Multissetorial Governador Luiz Cavalcante, no Tabuleiro dos Martins, a Indústria Alaplásticos gera 90 empregos diretos e produz aproximadamente 100 toneladas mensalmente da linha escolar e de escritório com a matéria-prima polipropileno.

Segundo o gerente-geral, Rodolpho Lucena, a maioria dos candidatos que colocaram currículo para concorrer a uma vaga de trabalho na empresa não era qualificada para a atividade industrial. "Tivemos que trazer três instrutores de São Paulo para treinar os funcionários contratados, além, de aprendizagem no dia a dia", afirma o gerente-geral.
Para solucionar esta demanda, será construído o Núcleo de Tecnologia do Plástico no Polo Multissetorial Governador Luiz Cavalcante, que fica na capital alagoana. A intenção é capacitar a mão de obra já utilizada nas indústrias do segmento com a finalidade de manter o padrão de mercado competitivo e preparar trabalhadores para atender às novas indústrias que estão se instalando no Estado.

O centro tecnológico receberá recursos do governo de Alagoas e de diversas entidades. Já estão garantidos mais de R$ 700 mil do governo estadual, por meio da Sedec, e ficou firmado o investimento de R$ 1,25 milhão pelo Sebrae Nacional.

Com o funcionamento do Núcleo de Tecnologia do Plástico será possível contratar funcionários que já dominam a atividade das indústrias do plástico. O encarregado da Alaplásticos, Arthur Berssoni, que supervisiona as máquinas e a qualidade dos produtos, já chegou à empresa com um pouco de experiência.

Berssoni trabalhou numa outra indústria de plástico, exercendo a função de auxiliar do encarregado. Com 23 anos, ele considera importante a busca pela qualificação profissional, mas diz sentir falta de um curso técnico específico, pois os oferecidos hoje são básicos.

Demonstrando o mesmo interesse pela qualificação profissional, Derinaldo Carlos da Silva, responsável pela operação da máquina de extrusão (fabrica a lamina de polipropileno), terminou o ensino médio e fez um curso básico de informática. A operação da máquina extrusora necessita de conhecimento em informática, já que o comando das ações é feito por um tipo de computador. "Gosto muito de aprender coisas novas e me preocupo em conhecer as novidades da atividade. Quero melhorar como profissional e contribuir para a empresa, para que cresça e gere mais emprego", explicou o funcionário.

Todas essas ações do governo e do setor produtivo são possíveis com o funcionamento efetivo do Fórum de Gestão da Cadeia Produtiva Química e do Plástico (CPQP) no Estado, criado no início de 2007. É coordenado pelo governo de Alagoas, por meio da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Econômico, Energia e Logística (Sedec), em parceria com o setor produtivo.

"Nós criamos esse fórum para discutir as necessidades do setor, bem como ampliar o quadro de investimentos no Estado. Já temos mais 12 empresas a serem instaladas. O momento é favorável. Temos o interesse de diferentes segmentos no desenvolvimento desse mercado", avaliou Luiz Otavio.

Como presidente da CPQP, o secretário Luiz Otavio Gomes, comemora os resultados concretos da parceria entre o poder público e o privado, consolidada nos projetos planejados, especialmente do Núcleo de Tecnologia do Plástico. O secretário para revelar a credibilidade alcançada pelo fórum cita a participação nas reuniões de autoridades consideradas importantes para o segmento, que elogiaram o formato da cadeia, como o presidente da Associação Brasileira das Indústrias do Plástico (Abiplast), Merheg Cachum; presidente do Sebrae Nacional, Paulo Okamotto; entre outros.

Fazem parte do fórum da CPQP: Federação da Indústria de Alagoas (Fiea), Senai, Banco do Nordeste, Algás, Associação Comercial, Universidade Federal de Alagoas, Sindicato das Indústrias de Plástico e a Associação das Empresas do Polo Multifabril de Marechal Deodoro e do Polo Mutissetorial em Maceió.

Necessidade — Antes mesmo de construir o prédio do Núcleo, o governo e empresários estão se articulando para realizar o curso de capacitação de mão de obra já para o final do mês de maio. A ação irá qualificar, inicialmente, 40 profissionais, num total de 160 horas utilizando as dependências e estrutura das próprias indústrias.

O curso Tecnologia do Plástico irá atender a crescente demanda de mão de obra qualificada, tendo a participação de iniciantes e profissionais das indústrias de plástico do Estado de Alagoas. A ação capacitará na estrutura das indústrias até o funcionamento do Núcleo de Tecnologia do Plástico, que já está sendo construído no Polo Multissetorial Governador Luiz Cavalcante, no Tabuleiro, ao lado da Unidade Senai Tabuleiro.

Segundo o presidente do Sindicato das Indústrias do Plástico, Wander Lobo, a qualificação é uma ação de curto prazo, pois é uma necessidade já apresentada pelo empresariado. Além do curso básico da Tecnologia do Plástico, a proposta é realizar capacitação técnica avançada e específica, gestão empresarial e qualidade — ISO 14000, 5 S, modelo de excelência.

Pesquisa — Outra ação será pesquisar 30 indústrias do segmento, sendo 25 sindicalizadas, e mais cinco empresas fornecedoras para elaborar o perfil do setor plástico de Alagoas. O levantamento também apresentará o cenário atual e as devidas mudanças que ocorrerão com a implantação das ações de melhorias e fomento da indústria de plástico de Alagoas. O questionário servirá