O ministro da Defesa, Nelson Jobim, disse ontem no Rio que o objetivo do programa de demissões da Infraero é adequar a estatal ao "tamanho de suas necessidades": "Precisamos ter uma empresa que seja competitiva".

Em abril, por decisão dos representantes da União, a assembleia geral da empresa reduziu de cerca de 150 para 12 os cargos ocupados por pessoas sem concurso.

A decisão de cortar os cargos gerou insatisfação entre peemedebistas e petistas, que tinham apadrinhados na empresa --a lista de cortes incluiu Oscar Jucá, irmão de Romero Jucá (PMDB-RR), líder do governo no Senado. A irritação foi tanta que a cúpula do PMDB se reuniu com o presidente Lula e com o ministro Nelson Jobim para reclamar das demissões.

Ontem, durante a comemoração do Dia da Vitória, no Monumento aos Pracinhas, Jobim minimizou a reação do partido: "Eu sei que foram alguns membros do PMDB. O partido não esteve presente naquela reunião [com o presidente]".

Já o presidente da Infraero, brigadeiro Cleonilson Nicácio Silva, negou ter sofrido pressões políticas para manter os comissionados: "Eu recebo todo mundo, desde o mais simples funcionário da empresa até o de mais alto nível da República. Recebo todos do mesmo jeito. Mas ninguém me falou nada sobre isso", disse ele. "Para mim não chegou nada."

Ele afirmou que as novas normas estatutárias serão cumpridas no menor prazo possível, conforme orientação do diretor de cada área.

Nicácio afirmou que pretendia manter 40 cargos em comissão, para garantir a continuidade de funções técnicas para as quais a Infraero não tem quadros próprios. "Eu tinha um número, mas poderia ser mais ou menos. Houve essa decisão, e vamos cumprir, conforme a orientação de cada diretoria."