As cotas de viagens aéreas de dois senadores que morreram no exercício do mandato também integraram a farra das passagens no Senado, tendo sido usadas por terceiros após a morte deles e já em outro mandato.

As cotas são de Ramez Tebet (PMDB-MS), que presidiu o Senado entre 2001 e 2003 e morreu em novembro de 2006, e Jefferson Péres (PDT-AM), morto em 23 de maio de 2008. Além desses casos, cotas de outros nove ex-senadores foram usadas mesmo após eles deixarem o cargo.

O uso de cotas foi possível porque esses senadores acumularam milhagens ou não gastaram toda a verba de viagens durante o mandato. Não havia proibição para que essas cotas continuassem a ser usadas no Senado e na Câmara. As Casas só restringiram o uso de cotas após o aparecimento de uma série de denúncias sobre o uso de cotas a passeio por parentes.

Segundo o site, a cota de Tebet foi usada sete vezes após sua morte. Os bilhetes foram emitidos entre 25 de agosto de 2007 e 21 de janeiro de 2008 e, ainda conforme o Congresso em Foco, foi usada por Mari Regina Vieira e Marly Souza. Pelo menos uma das viagens foi para o exterior, a Assunção (Paraguai).

Segundo ex-assessores de Tebet ouvidos pelo site, as duas receberam as passagens antes da morte do senador.

A cota do ex-líder do PDT Jefferson Péres foi usada uma vez após sua morte, no dia 7 de dezembro do ano passado, informa o site. A passagem foi emitida em nome do passageiro identificado como "Souza/Carpinteiro Peres".

Ex-senadores
Quem mais usou a cota após o mandato foi o atual vice-governador do Maranhão, João Alberto de Souza (PMDB). Souza e convidados voaram 98 vezes. Em seguida está, Rodolpho Tourinho (DEM-BA), com 79 voos, e Roberto Saturnino (PT-RJ), com 54. O ex-presidente do PFL (hoje DEM) Jorge Bornhausen e familiares tiveram 13 viagens custeadas.

A relação inclui o governador de Alagoas, Teotônio Vilela Filho (PSDB), com oito viagens e o ministro do TCU José Jorge, com 14.

A presidente do PSOL, Heloísa Helena, fez seis voos, o ex-governador do Distrito Federal Joaquim Roriz (PMDB-DF) fez sete e Alberto Silva (PMDB-PI) dois.