O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, disse neste sábado (9) que o país pode retirar-se da Organização dos Estados Americanos (OEA) e convocar a formação de uma outra entidade regional, após a comissão de direitos humanos da OEA ter criticado seu governo.

 

O presidente, que afirma conduzir uma "revolução socialista", acusou a OEA de evitar repreensões aos Estados Unidos durante ações de guerra ordenadas pelo ex-presidente George W. Bush.

 

"Temos de nos perguntar para que a OEA. A Venezuela poderia sair da OEA e criar ou convocar outros povos deste continente a nos libertar destes velhos instrumentos e que formemos uma organização de povos da América Latina, de povos livres", disse Chávez.

 

A região discutiu a necessidade de mudanças na entidade multilateral durante a recente reunião em Trinidad e Tobago, momento em que também se falou sobre a necessidade de voltar a incluir Cuba, suspensa há três décadas.

 

Chávez disse que se perguntava junto com Cuba, Nicarágua e Equador se a organização deveria existir. "Fidel [Castro] tem razão quando disse ‘outra vez a OEA?’ Por quê? Porque a OEA é uma burocracia imperial e nos condena", afirmou o presidente enquanto visitava instalações médicas, em um ato de governo transmitido pela televisão.

 

Chávez se queixou que a entidade reconheceu o governo interino que se instalou quando ele foi retirado do poder em 2002, sem condenar as ações que o afastaram do cargo. “Agora essa mesma organização diz que nós aqui violamos os direitos humanos", enfatizou.

 

Nesta semana, a Comissão Interamericana de Direitos Humanos incluiu a Venezuela na lista de países que precisam melhorar a defesa e o cumprimento dos direitos humanos.