Após três dias com ocorrências de chuvas e ventos fortes, Salvador viveu um 5 de maio que entra para a sua história como um dia de mortes, perdas materiais e caos urbano. Além do que já vinha ocorrendo nos últimos dias – deslizamentos de terra, quedas de árvores e congestionamentos – a cidade experimentou nesta terça um clima de caos, com alagamentos nas principais ruas e avenidas, culminando com o soterramento de três homens, em Pirajá, e mãe e filha levadas pela força da enxurrada.

Walter Antônio Júnior, 22 anos, Leandro Vinícius Rocha, 20, e Rodrigo Cassiano, 20, ficaram embaixo de escombros. O corpo deste último não tinha sido localizado até a noite, assim como os corpos de Fernanda Bispo, 28, e da filha Beatriz, 6, arrastadas para canal na R. Nadir de Jesus (Av. San Martin).

Os problemas atingem gravemente pelo menos mais duas cidades da região metropolitana e, ao constatar os estragos, após voo num helicópetro, o governador Jaques Wagner decretou, nesta terça à noite, estado de emergência em Salvador, Lauro de Freitas e Simões Filho. Wagner disse que colocará a estrutura do Estado à disposição dos municípios, mas adiantou que recursos dependem de posição do governo federal.

Nem o prédio de estrutura metálica que abriga a Prefeitura de Salvador, na Praça Thomé de Souza, escapou: foi parcialmente interditado, depois de ser invadido pelas águas da chuva. Estar debaixo de um teto ou dentro de carros não era garantia de segurança:  no 3º piso do Shopping Iguatemi, entrada do Restaurante Outback, o forro de gesso foi levado por enxurrada (a casa ainda não estava aberta, mas a quantidade de água assustou os empregados), veículos quebravam em rios formados nas ruas e avenidas. Para piorar, pessoas foram saqueadas enquanto estavam paradas nos congestionamentos.

No interior, mais estragos. No oeste, a economia enfrenta problemas, com cerca de seis mil carretas impedidas de escoar a produção agrícola. Juazeiro também está em estado de alerta. As chuvas atingiram 190 municípios brasileiros e obrigaram cerca de 180 mil pessoas a abandonarem suas casas em oito estados do Norte e Nordeste do País.