Anfitrião da Cúpula do G20 financeiro que será realizada dia 2 de abril, em Londres, o primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, proporá às maiores economias desenvolvidas e em desenvolvimento a criação de um fundo de US$ 100 bilhões para o financiamento do comércio. A proposta foi apresentada hoje (26) ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no Palácio do Alvorada.

“É o mínimo que precisamos para aumentar o fluxo do comércio global nos próximos meses”, disse Brown, em entrevista coletiva após o encontro, frisando que em 2009, pela primeira vez nos últimos 30 anos, há previsão de queda nas exportações mundiais. O fundo, segundo ele, terá como doadores países, organismos multilaterais, agências de crédito a exportação e setor privado.

O fundo conta com a simpatia do governo brasileiro, assegurou o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim. Segundo ele, o país já se comprometeu em colocar recursos. “O presidente disse que o Brasil sempre fará sua parte se todos contribuírem. O ministro Mantega [Guido Mantega, da Fazenda] quer encontrar uma maneira de contribuir que não afete nossas reservas, que não tenha nenhum impacto negativo, porque não adianta cobrir um santo para descobrir o outro”.

Lula e Brown fizerem apelos pela conclusão da Rodada Doha como forma de estimular o comércio e, assim, amenizar os efeitos da crise financeira internacional. Lula chegou a sugerir que a atual rodada de negociações da Organização Mundial do Comércio (OMC) fosse concluída durante a reunião do G20. No encontro de Londres, os dois chefes de estado também pretendem defender medidas efetivas para a recuperação do crédito. Segundo Brown, 90% do comércio mundial depende de crédito.

Lula destacou que as medidas de saneamento do sistema financeiro não estão sendo suficientes para a retomada do desenvolvimento mundial. O caminho para isso, na avaliação do presidente, deve ser o estímulo ao crédito. “O primeiro problema que temos é fazer voltar fluir o crédito. Essa é nossa primeira obrigação e até agora as medidas tomadas não ajudaram no crédito”, disse Lula. “Sem crédito a economia vai atrofiar, esse é o desafio que está colocado para nós”.

O presidente voltou a culpar a elite mundial pela atual crise financeira internacional e chegou a dizer que não há banqueiros negros ou índios. “É uma crise causada, fomentada por comportamentos irracionais de gente branca de olhos azuis que antes da crise parecia que sabiam tudo e que agora demonstram não saber nada”, disse Lula, ressaltando que não é justo que os pobres paguem pela crise.

O primeiro-ministro britânico evitou apontar culpados, disse que veio ao Brasil em razão da importância do país na economia mundial e avaliou que a superação da crise na economia internacional depende dos países em desenvolvimento, responsáveis por 70% do crescimento global. “O Brasil e outros emergentes têm papel crucial na recuperação da economia mundial”, afirmou.