As despesas com cigarro e cuidados com a saúde devem continuar a pressionar a inflação na cidade de São paulo neste mês, a exemplo do que ocorreu em abril. Para maio, a Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas) prevê avanço de 0,30% no IPC (Índice de Preços ao Consumidor), ante 0,31% de alta em abril.

"Queria colocar menos [para o IPC em maio], mas não foi possível por conta do cigarro", disse o coordenador do IPC (Índice de Preços ao Consumidor) da Fipe, Antonio Evaldo Comune. Em abril, o preço do item teve alta de 13,41%, ante variação de 1,56% em março.

E o reajuste não vai parar por aí, segundo Comune. Isso porque a medida do governo federal de reajustar os cigarros para compensar a redução de impostos para veículos e materiais de construção ainda não foi totalmente contabilizada no mês passado.

"O impacto das medidas do IPI vai vir em maio. Já teve reflexo na última semana de abril. E o cigarro vai continuar sendo o vilão da inflação nos próximos meses", disse Comune, que prevê, porém, conclusão do repasse até o final de junho.

Para os grupos despesas pessoais e saúde, que puxaram o IPC em abril, a Fipe prevê variações de 1,60% e 0,67% em maio, respectivamente, ante variação de 1,92% e 1,86% de abril. Foram as duas maiores variações entre os sete grupos apurados.

Quanto ao grupo saúde, Comune afirmou que deverá ocorrer repasse dos reajustes de contratos de assistência médica ainda nos meses de maio e junho. "Remédio deu o pico em abril e é a grande explicação para a variação de 1,86% do grupo, com a ajuda do contrato de assistência médica, que ainda está em época de reajuste."

Para o grupo habitação, a Fipe espera inflação de 0,10% neste mês, ante deflação de 0,04% em abril; para vestuário, a expectativa é variação positiva de 0,46%, ante 0,41% no mês passado. A entidade prevê estabilidade para transportes e educação, que tiveram, respectivamente, -0,02% e 0,02% em abril. Já para alimentação a estimativa ainda é de deflação, de 0,20%, ante queda de 0,26%.

Segundo Comune, que manteve a previsão do IPC do ano em 4,5%, o cenário é de "tranquilidade" e preços sob controle. "A preocupação é de pressão sobre as commodities, como teve o ano passado. Quanto a grãos, é preciso ver se a China vai comprar. A pauta [de exportações] está concentrada."

O IPC mede a variação dos preços no município de São Paulo de famílias com renda até 20 salários mínimos.