O casal de gêmeos A.L. e E. nasceu na última quarta, de cesariana, mas até hoje não foi registrado. São filhos de Adriana Tito Maciel, 26 anos, e Munira Kalil El Ourra, 27, companheira de Adriana há dois anos, e as duas entraram na Justiça para que as certidões de nascimento dos bebês tragam o nome das duas como mães.

Adriana e Munira querem ter os mesmos direitos --e deveres-- sobre as crianças. A advogada do casal, Maria Berenice Dias, entrou há um mês com uma ação declaratória de filiação, com antecipação de tutela, no Fórum de Santo Amaro (zona sul).

Nesta semana, entrará com pedido de reforço. "A adoção por homossexuais é admitida no Brasil, mas não queremos que uma delas tenha de adotar os próprios filhos. Queremos que o direito das duas seja reconhecido", diz Berenice, afirmando que uma decisão favorável poderá abrir um precedente inédito no país.

Os bebês são fruto da inseminação dos óvulos de Munira com o espermatozoide de um doador anônimo. Os embriões foram então implantados no útero de Adriana, que gerou as crianças. Nas pulseiras dos gêmeos no hospital, as mães já conseguiram o que perseguem na Justiça: os nomes das duas na identificação.

Rotina

Munira e Adriana estão em casa com as crianças. "Nós dormimos duas horas nessa noite [segunda], os dois estavam com cólicas. Enquanto eu dou de mamar para um, a Munira nina o outro", diz Adriana.

Analista de controladoria, Munira obteve licença-maternidade. "Muita gente tem nos apoiado." Maria de Fátima Alves, 50 anos, mãe de Munira, liga todo dia para saber dos netos. "Eles terão mães e amor em dobro.

A outra avó, Isabel Araújo, 50, teme o preconceito. "Até na nossa família tem discriminação. Mas as crianças são muito amadas e vão superar os problemas."