BRASÍLIA E RIO - O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou hoje que a queda na produção industrial no primeiro trimestre de 2009 foi forte e parecida com a registrada no último trimestre de 2008. "A gente já esperava isso", afirmou o ministro em entrevista à Agência Brasil, disponível no site do Ministério da Fazenda. Mantega, no entanto, avaliou que o resultado do primeiro trimestre não capta o que vem ocorrendo na economia desde março. "A partir de março e abril, a economia está se recuperando. Nós já voltamos a aquecer e a acelerar. Já estamos em crescimento", disse o ministro.

Para Mantega, os números divulgados hoje pelo IBGE olham para o passado. "Mas, para o presente, a situação está melhorando nitidamente", concluiu. Segundo o IBGE, no primeiro trimestre deste ano, a produção industrial acumulou queda de 14,7% em relação ao primeiro trimestre de 2008 e de 7,9% em relação ao quarto trimestre de 2008.

Os segmentos industriais impulsionados pelo mercado interno, sobretudo veículos automotores (automóveis, autopeças, caminhões), estão liderando o processo de reação da indústria, segundo o coordenador de indústria do IBGE, Silvio Sales. "Os bens duráveis, liderados pelos automóveis, estão reagindo ao movimento de queda abrupta do final do ano passado, mas ainda longe de chegar aos patamares mais elevados de 2008", disse.

A produção de veículos automotores aumentou 56,5% em março em relação a dezembro de 2008, mês no qual foi determinada a redução do IPI para automóveis, prorrogada a partir de abril por mais três meses. Em março, ante fevereiro, os veículos automotores registraram alta na produção de 7%, mas mantiveram a trajetória de queda ante igual mês do ano passado (-18,5%, mas exclusivamente os automóveis tiveram queda mais branda, de 3,2%).

"Os segmentos que estão reagindo mais estão mais vinculados ao mercado interno, com automóveis, que foram desonerados e a indústria de alimentos, que se beneficia do aumento da massa de rendimentos e a inflação controlada", disse. Segundo Sales, "a indústria vem reagindo mês a mês desde o início do ano, mas o movimento tem sido ainda muito moderado". Ainda de acordo com Sales, a recuperação dos automotores é importante porque "gera encadeamento com outros setores, se essa recuperação dos duráveis se consolidar, em algum momento vai bater nos intermediários".

Máquinas e equipamentos

A indústria de bens de capital (máquinas e equipamentos) foi a última categoria industrial a entrar na crise, mas também será a ultima a sair, segundo o coordenador de indústria do IBGE. Silvio Sales explicou que, no início das turbulências, encomendas efetuadas anteriormente evitaram uma derrocada imediata dos bens de capital, mas com o aumento da desconfiança e a deterioração do cenário econômico, os investimentos foram adiados.

"As decisões sobre aquisições de máquinas e equipamentos precisam de um cenário positivo, mais claro, possivelmente os investimentos vão sendo adiados até que o cenário fique mais claro para tomada de decisões", disse. Hoje, o IBGE divulgou uma queda de 6,3% na produção industrial em março ante fevereiro e recuo de 23% ante março do ano passado. Na comparação com março de 2008, houve queda em bens de capital para indústria (-29,8%); para agricultura (-32,4%); para transporte (-3,1%); para energia (-51,8%); para construção (-68,9%) e para uso misto (-24,1%, inclui computadores).