Que existia algo de podre dentro dos presídios alagoanos não era novidade alguma, denúncias do Sindicato dos Agentes Penitenciários e da OAB dão conta que dentro dos presídios quem dava as cartas eram os presos com a conivência de diretores e até de gente da cúpula da Policia Militar.

O próprio CADAMINUTO já denunciou que existiam informações que dentro das celas havia home-theaters, dvds, televisões, notebooks e tudo mais que o dinheiro pudesse pagar.

Pois todas estas denúncias foram constatadas com as fotos postadas nesta matéria que mostram pela primeira vez na imprensa alagoana como funciona um presídio alagoano de dentro.

De um lado a superlotação, a pobreza e o convívio com a sujeira e doenças por parte dos presos classificados por eles mesmos como "pé-de-chinelos".

Do outro lado presos que contam com todo o apoio da direção e vivem de forma ‘vergonhosamente luxuosa’ sendo tudo pago com nossos impostos, ou como disse uma das inúmeras fontes ouvidas durante o curso desta reportagem, “quando se tem dinheiro tudo pode dentro de um presídio em Alagoas”.

Esta matéria tem como base alguns dados de um dossiê com 24 cartas denúncias e 27 Termos de Declarações com informações detalhadas sobre crimes ocorridos no Sistema Penitenciário em 2008 e também neste ano entregues pelo presidente da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil, Seccional Alagoas, Gilberto Irineu, ao promotor de Justiça, Alfredo Gaspar de Mendonça.

Mas além do dossiê o CADAMINUTO ouviu guardas, agentes penitenciários, presos, familiares e advogados e ficou sabendo de várias denúncias que são impossíveis de ser publicadas pela falta de provas.

Embora as fotos publicadas falem por si só e mostram o luxo, o lixo e alguns flagrantes nunca vistos por ninguém que não faça parte da "intimidade" do sistema prisional, como as fotos do Corró, ou cela de isolamento e castigo do presídio Ciridião Durval que tem menos de 6m2 e como mostra a imagem está lotada.

Esta cela não tem ventilação, salubridade, banheiro nem água potável. Um verdadeiro calabouço lotado, e o pior é que elas foram tiradas neste fim de semana.

O mais impressionante é que este presídio já recebeu uma reforma este ano e que segundo lembrou o nosso blogueiro Bob Vilanova o Ciridião DUrval custou na época 95 reais por metro, enquanto a mesma medida em um hotel cinco estrelas em Salvador custou 60 reais na mesma época.

Quando entregou o Dossiê, Gilberto Irineu explicou (veja no vídeo abaixo) que dentre as várias denúncias, estão as de que agentes penitenciários que sempre entram nas celas e torturam detentos, o que ocorre normalmente durante a madrugada.

Agentes penitenciários e diretores das unidades são denunciados ainda de corrupção, onde eles recebem de R$ 150 a R$ 500 reais, para tirar os detendo da "chapa" - local de isolamento- e cerca de R$ 2 mil reais para trocar os detentos de uma unidade para outra.




Veja abaixo as tristes fotos da realidade dos presídios alagoanos