WASHINGTON - O governo americano iniciou reuniões informais com representantes do Escritório de Interesses de Cuba em Washington para abordar temas de interesse comum, revelou nesta segunda-feira, 27, o porta-voz do Departamento de Estado, Robert Wood. A primeira reunião sob o mandato do presidente Barack Obama aconteceu há duas semanas, em 13 de abril, e a segunda se realizará ainda nesta segunda-feira, 27, "em um local mutuamente estipulado" entre o secretário de Estado adjunto para a América Latina, Thomas Shannon, e o representante do Escritório de Interesses de Cuba nos EUA.
 
O porta-voz quis minimizar o encontro, o segundo em poucas semanas, ao afirmar que os Estados Unidos mantiveram "durante os anos um contato periódico com representantes do Escritório de Interesses de Cuba". Perguntado sobre se essas reuniões devem ser vistas como um esforço para melhorar a comunicação com Havana e uma sequência à recente suspensão das restrições a viagens e remessas a Cuba, insistiu que esta "é mais um encontro dos que houve ao longo dos anos com representantes do Escritório de Interesses (de Cuba)."

"Temos algumas inquietações sobre a política cubana e vamos expressá-las", disse Wood. "Seguramente, haverá alguma conversa sobre as medidas anunciadas recentemente pelo presidente". Bobby L. Rush, presidente do subcomitê de comércio da Câmara dos Representantes, por sua vez, disse acreditar que chegou o momento para levantar todas as sanções, incluindo o bloqueio imposto há quase meio século. "Nossa política comercial com Cuba é um fracasso", afirmou ele em uma audiência para examinar as relações.

Nos últimos meses, os dois países trocaram alguns gestos conciliatórios. Os EUA levantaram bloqueios sobre viagens e remessas de dinheiro à ilha, enquanto Raúl Castro, presidente cubano, disse estar disposto a negociar "tudo" com Obama. No entanto, o clima de cooperação foi rompido pelo ex-líder Fidel Castro - na semana passada, ele disse que os EUA foram "arrogantes" sobre troca de prisioneiros (uma das exigências de Washington para o fim do bloqueio) e acusou Obama de mentir.