O primeiro-secretário do Senado, Heráclito Fortes (DEM-PI), determinou nesta segunda-feira (27) a abertura de uma sindicância para investigar o ex-diretor de Recursos Humanos da Casa João Carlos Zoghbi, que continua nos quadros do Senado. Ele é acusado de envolvimento na criação de empresas de fachada para ocultar o recebimento de quantias milionárias de empresas que faziam negócios com a Casa.

Zoghbi deixou a função de diretor de RH do Senado após ter admitido o repasse para parentes do apartamento funcional que estava em seu nome. O ex-diretor tem uma mansão na capital federal.

Segundo a revista Época, Zoghbi usou o nome de uma ex-babá, Maria Izabel Gomes, uma senhora de 83 anos, que mora na casa dele, para abrir três empresas. Até três anos atrás, Dona Maria Izabel não tinha renda alguma. Segundo Época, em um ano e meio, as três empresas dela, e de outros dois sócios, faturaram R$ 3 milhões.

Parte do dinheiro teria vindo do banco Cruzeiro do Sul, que tem um convênio com o Senado Federal para oferecer empréstimos, com desconto na folha de pagamentos, para os servidores da Casa.

Em entrevista na casa de João Carlos Zoghbi, a revista diz que o ex-diretor admitiu que dois filhos seus seriam os "donos ocultos" das empresas. De acordo com Época, durante a conversa, a mulher de João Carlos, Denise Zoghbi, fez uma oferta a um dos repórteres da revista, preocupada com a repercussão da denúncia.

"Essa reportagem vai acabar conosco, o João vai ser demitido. O que eu posso fazer? Dinheiro? Se eu te der meu carro você não publica?", teria dito Denise Zoghbi.

O banco Cruzeiro do Sul divulgou nota negando que tenha enfrentado dificuldades para renovar o contrato com o Senado Federal em 2007. O banco também nega que tenha se envolvido em qualquer operação suspeita.

O primeiro-secretário está fora do país. Por considerar a denúncia "grave", determinou a abertura da sindicância. Sua assessoria não soube informar qual o prazo para a investigação.