O banqueiro Daniel Dantas, investigado pela Operação Satiagraha, deflagrada pela Polícia Federal no ano passado, foi inciado nesta segunda-feira (27) por cinco crimes financeiros - formação de quadrilha, gestão fraudulenta, evasão de de divisas, empréstimo vedado e lavagem de dinheiro.

A informação foi confirmada pela assessoria de imprensa da Polícia Federal. Dantas foi ouvido pela PF na manhã desta segunda. Segundo a polícia, outras pessoas investigadas pela operação serão ouvidas nesta semana.

Daniel Dantas já responde a ação penal por crime de corrupção ativa na 6ª Vara Federal Criminal da Justiça Federal de São Paulo.

Depoimento

O banqueiro ficou na sede da PF entre 7h55 e 8h25. Por orientação do advogado Andrei Schmidt, ele permaneceu calado durante todo o tempo destinado ao depoimento ao delegado Ricardo Saadi, que comanda o inquérito da Operação Satiagraha. Dantas deixou a sede da PF paulista sem falar com a imprensa.

De acordo com Andrei Schmidt, "o próximo passo é aguardar o trabalho da Polícia Federal". O advogado também faz a defesa de outros cinco executivos do banco Opportunity, comandado por Dantas, incluindo a irmã Veronica Dantas, que têm depoimento marcado para esta segunda.

Na terça-feira, segundo a Agência Brasil, depõem quatro pessoas, mas os nomes não são confirmados pela assessoria de imprensa da polícia.

Inquérito

A Polícia Federal deve concluir o inquérito até o final da semana que vem e enviá-lo ao procurador da República Rodrigo de Grandis. De Grandis acompanhou o depoimento de Dantas, mas afirmou que não estaria presente nas demais oitivas.

"Como o advogado dele (de Dantas) disse que seu cliente faria voto de silêncio, eu acompanhei o indiciamento feito pelo delegado e decidi que não acompanharei as outras oitivas", afirmou. "O indiciamento é importante porque é um indiciamento formal e evidencia a conduta delituosa da organização criminosa."

A expectativa é que, após receber o inquérito, o procurador ofereça a denúncia à 6ª Vara Criminal Federal.

CPI dos Grampos

Na última semana, o deputado Nelson Pellegrino (PT-BA) apresentou seu relatório na CPI dos Grampos mantendo de fora dos pedidos de indiciamento o banqueiro Daniel Dantas e o delegado da Polícia Federal Protógenes Queiroz, que presidiu a Operação Satiagraha. Diretores da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) também ficaram de fora do pedido de indiciamento.