Preso durante ação da Polícia Federal, em junho do ano passado, o advogado Lauro Maia, filho da governadora Wilma de Faria (PSB), foi denunciado ontem pelo Ministério Público Federal do Rio Grande do Norte sob suspeita de integrar um esquema de fraudes na contratação de serviços terceirizados em órgãos públicos do Estado.

Ao todo, 15 pessoas foram denunciadas à Justiça, entre empresários e ex-servidores ligados à atual administração. O grupo é suspeito de práticas como corrupção ativa e passiva, peculato, tráfico de influência, crime contra a lei de licitações e formação de quadrilha.

O filho da governadora é suspeito de exercer "forte influência" em órgãos estaduais em favor de três empresas do grupo.

Segundo a Procuradoria, ele agia com a ajuda do então secretário-adjunto da Secretaria Estadual de Esporte João Henrique Lins Bahia Neto --que também foi denunciado.

Após as investigações, os procuradores concluíram que o grupo foi responsável por fraudar a contratação e prorrogação de contratos das três empresas para prestação de serviços de mão-de-obra ao Estado, sobretudo para a Secretaria da Saúde, entre 2005 e 2008.

Maia foi detido na operação Hígia, desencadeada pela PF, em junho de 2008. Documentos, agendas e arquivos de computadores apreendidos durante a ação foram analisados.

À época a PF informou que os supostos desvios alcançaram R$ 36 milhões em três anos.

A Procuradoria apontou irregularidades como dispensa ilegal de licitações, "inexecução" parcial de serviços e apropriação indevida dos valores.

A assessoria de imprensa do governo do Estado disse ontem que somente o advogado de Lauro Maia poderia comentar as denúncias. Procurado, o advogado Erick Pereira não atendeu o celular. A Folha deixou recado também na casa de Lins Bahia, que não ligou de volta.