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“O bem amado”, texto teatral de Dias Gomes que foi novela de sucesso em 1973 e agora transformado em filme, abre na noite desta segunda-feira (26) a programação oficial do 14º Cine PE Festival do Audiovisual. Com mais de 60 produções, entre curtas e longas-metragens, a mostra de cinema nacional acontece no Recife, até o próximo domingo (2), quando serão anunciados os vencedores da premiação.

Guel Arraes, diretor que levou Sucupira e o prefeito Odorico Paraguaçu para as telas, será homenageado antes desta primeira exibição pública de “O bem amado”, junto com a Globo Filmes. O cineasta e a produtora assinam alguns dos maiores sucesso comerciais do país como “O auto da compadecida” (2000), e “Caramuru – a invenção do Brasil” (2001).

Estrelado por Marco Nanini, Andréa Beltrão, Drica Moraes e José Wilker, “O bem amado” retrata com irreverência uma cidade dominada pelas mazelas de um político corrupto. A comédia será exibida fora de competição, assim como “Quincas Berro D’água”, de Sérgio Machado, que fechará a maratona cinéfila no sábado (1).

Adaptação da obra de Jorge Amado, a comédia conta a história de um funcionário público, interpretado por Paulo José, que resolve levar uma vida de farras assim que sai sua aposentadoria. O elenco tem ainda Marieta Severo, Mariana Ximenes, Vladimir Brichta e Milton Gonçalves.

Mostra competitiva
A seleção desta temporada do Cine PE primou pela diversidade. Uma produção “teen”, dois documentários, dois dramas e um musical estão na corrida pelo prêmio de melhor filme.

Bastante elogiado pela crítica em sua terceira semana em circuito, “As melhores coisas do mundo”, de Laís Bodanzky, agora será avaliado em um festival de cinema.

De olho no público infanto-juvenil – perfil de espectador pouco explorado no país – a produção faz um retrato coerente dos adolescentes dos anos 2000 ao narrar o doloroso processo de amadurecimento de Mano (Francisco Miguez). Além de Denise Fraga, Caio Blat, Paulo Vilhena e Fiuk, “As melhores coisas do mundo” também teve jovens selecionados em escolas paulistanas para integrar o elenco.

A juventude, mas em tempos bem mais árduos, é o mote do musical “Léo e Bia”. Em sua estreia como diretor, o cantor Oswaldo Montenegro transporta para as telas sua montagem teatral sobre um grupo de artistas de Brasília que tenta driblar as dificuldades de viver nos anos da ditadura militar.

Entre os filmes de ficção em disputa estão ainda os inéditos “Não se pode viver sem amor”, de Jorge Durán, e “O homem mau dorme bem”, de Geraldo Moraes.

Com Cauã Reymond, Simone Spoladore e Ângelo Antônio, o drama de Durán revela as angústias que tomam conta de uma família assombrada por uma tragédia na véspera da ceia de Natal.

Já “O homem mau dorme bem” é um “road movie” às avessas. A história de três personagens com vidas completamente diferentes se cruza num posto de gasolina na beira de uma estrada – cenário de toda a trama.

Os documentários “Sequestro” e “Cinema de guerrilha” completam a lista da mostra competitiva. O primeiro é o resultado de quatro anos de filmagens do diretor Wolney Atalla, que acompanhou o trabalho da polícia e o sofrimento de quem tem um parente sequestrado.

Já o segundo, de Evaldo Mocarzel, acompanha a rotina de um grupo de jovens da periferia que sonha fazer cinema. Para isso, promovem e participam de ações e mostras alternativas.

Curtas e homenagens
A programação do Cine PE também inclui uma vasta exibição de curtas-metragens, em 35 mm e no formato digital.

Da seleção de cerca de 40 produções inéditas, chamam a atenção pelo tema escolhido “Zé(s)”, que tem como personagens o dramaturgo José Celso Martinez Corrêa e o Teatro Oficina; “Circuito interno”, sobre um boliviano que vive clandestinamente em São Paulo, e “Senhoras”, que fala da amizade entre duas mulheres da terceira idade.

Além da exibição de filmes, o Cine PE também prestará homenagens a personalidades do cinema nacional. Além de Guel Arraes, os atores Tony Ramos e Júlia Lemmertz receberão menções especiais do júri da mostra.