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A data de 3 de maio de 2010 marca o centenário de Aurélio Buarque de Holanda Ferreira, autor do mais conhecido dicionário do país. Além de lexicógrafo, o alagoano nascido em Passo do Camaragibe destacou-se como ensaísta, filólogo e tradutor. A dedicação às palavras garantiu ao mestre a cadeira de número 30 da Academia Brasileira de Letras.

Nessa data, a partir das 18h, o governo de Alagoas, por meio da Secretaria de Estado da Cultura (Secult), abre ao público o Espaço Aurélio Buarque de Holanda, no Museu Palácio Floriano Peixoto, em Maceió. Será apresentada a trajetória do escritor desde o nascimento em Passo de Camaragibe até os dias atuais (com obras editadas), por meio de painéis, vídeos e acervo cedido pela família de Aurélio.

Entre as peças, a máquina de datilografia usada pelo acadêmico, os óculos, a carteira e livros. A viúva de Aurélio, Marina Baird Ferreira, cedeu também parte das fichas usadas por ele na criação do dicionário e o título Lusíadas, repleto de anotações. Há espaço ainda para comendas, diplomas.

“Serão feitas várias ações em torno do Ano Aurélio. A Educação, por exemplo, trabalha em torno de um concurso sobre o escritor. Teremos também no dia 3 o tombamento da casa onde nasceu o mestre”, revela Osvaldo Viégas, secretário de Estado da Cultura. Será lançado ainda um site sobre o autor de Dois Mundos.

Biografia – Filho de Manuel Hermelindo Ferreira e de Maria Buarque Cavalcanti Ferreira, Aurélio atravessou a infância nas cidades de Passo, Porto de Pedras e Porto Calvo. Aos 13 anos, chegava a Maceió. Tinha verdadeira admiração pelo mar de Alagoas, tema de alguns de seus poemas. Aos 14 anos, precoce, já lecionava como professor de língua portuguesa.

Na capital, foi diretor da Biblioteca Municipal, mais uma relação direta com os livros, e do Teatro Deodoro. Foi na sua gestão nesta casa que o Estado recebeu a cantora Bidu Sayão, destaque de óperas na Europa.

Em 1939, seguiu para o Rio de Janeiro. Na cidade, foi colaborador da imprensa. Trabalhou na Revista do Brasil. Nessa mesma época, publicou seu livro de contos, Dois Mundos. Foi ainda pesquisador das obras de Machado de Assis e Eça de Queirós.

A partir da década de 1950, Aurélio Buarque manteve, na revista Seleções do Reader’s Digest, a seção Enriqueça o seu Vocabulário, que em 1958 ele iria reunir e publicar no volume de igual título.

A preocupação pela língua portuguesa, a paixão pelas palavras levou-o à imensa tarefa de elaborar o próprio dicionário, e esse trabalho lexicográfico ocupou-o durante muitos anos. Finalmente, em 1975, foi publicado o Novo Dicionário da Língua Portuguesa, conhecido por todos como o dicionário Aurélio.

Desde o lançamento, mestre Aurélio atendeu a muitos convites, no Brasil inteiro, para falar do dicionário e dos mistérios e sutilezas da língua portuguesa, que ele enriqueceu de tantos brasileirismos, fazendo do brasileiro comum um consulente de dicionário e um usuário consciente do seu idioma. Pronunciou numerosas conferências, sobre assuntos literários e linguísticos, no México, Estados Unidos, Cuba, Guatemala e Venezuela.

Pertenceu à Associação Brasileira de Escritores, seção do Rio de Janeiro (1944-49). Era membro da Academia Brasileira de Filologia, do Pen Clube do Brasil, do Instituto Histórico e Geográfico de Alagoas, da Academia Alagoana de Letras e da Hispanic Society of America.