O projeto alagoano Dança Afrobrasileiras nas Escolas, apresentado pelo coreógrafo Edu Passos, é um dos ganhadores do 1° Prêmio Nacional de Expressões Culturais Afrobrasileiras e receberá R$ 80 mil no próximo dia 27 de abril, às 19 horas, durante solenidade de premiação no Museu Nacional do Conjunto Cultural da República, que fica no Setor Cultural Sul/ Lote 2 da Esplanada dos Ministérios, em Brasília.

 

O projeto concorreu na categoria dança, com 120 inscritos, que disputavam os prêmios de R$ 80 mil reais. Ao todo serão distribuídos R$1.100.000,00 para 20 projetos de três categorias artísticas com estética negra contempladas nesta edição: teatro, dança e artes visuais. O prêmio é uma iniciativa do Centro de Apoio ao Desenvolvimento (Cadon) e da Fundação Palmares, com patrocínio da Petrobras, por meio da Lei Rouanet do Ministério da Cultura.

 

Dança Afrobrasileiras nas Escolas será composto por oficinas de dança afro-brasileira para alunos do ensino médio de duas escolas da rede pública, com o objetivo de formar multiplicadores para o ensino da dança afro brasileira. Ao final, será montado um espetáculo de dança sobre a Lenda de Oxalufã, que fala da visita de Oxalá ao Reino de Xangô, e adaptável a lugares abertos

 

Edu Passos explica que, nos seus 30 anos de trabalho, nunca viu um edital voltado para expressões culturais afrobrasileiras, o que o motivou a criar esse projeto direcionado para as escolas públicas. Seu objetivo foi “levar aos jovens da periferia de Maceió a dança afrobrasileira como qualquer outra disciplina do currículo escolar”. Para o proponente, este prêmio é o reconhecimento do trabalho que ele desenvolve há anos e do seu compromisso com a cultura afro.

 

Concorreram 412 projetos, 181 de artes visuais, 120 de dança e 111 de teatro. Os estados que tiveram maior número de inscritos foram São Paulo (143), Rio de Janeiro (133) e Bahia (84). Ruth Pinheiro, presidente do Cadon, destaca que o prêmio teve uma efetiva presença dos grandes estados, mas conseguiu atrair também unidades menores: “o que para os organizadores é bastante satisfatório, pois garante a diversidade”.

 

Os projetos – Os projetos aprovados em todo o país são os seguintes: categoria dança: Acorda Raça – Resgate e Preservação da Cultura Negra como Instrumento de Conscientização e de auto-estima (Paraná ); Bata-Kotô (Distrito Federal); Dança Afro-Brasileira nas Escolas (Alagoas); Elegbará – O Guardião da Vida (Pará) e 40 + 20 – Rubens Barbot (Rio de Janeiro). Na categoria teatro: Emi – A Concepção Yorubana do Universo (Pará); Mãe Coragem (Rio Grande do Sul); No Muro – Ópera Hip Hop (Distrito Federal); Oficina Comuns (Rio de Janeiro) e Ogum – O deus e o Homem (Bahia). Em artes visuais foram: Arte Resgatando o Quilombo (Santa Catarina); Essas Mulheres (Rondônia); Memórias de Sombras (São Paulo); Mestre do Coco Pernambucano (Pernambuco); Negro por Inteiro (Mato Grosso); Animais de Concreto (São Paulo); E o Silêncio Nagô Calou em Mim (Distrito Federal); Invernada dos Negros (Rio Grande do Sul); Lagoa da Pedra e a Roda de São Gonçalo (Tocantins) e Zeladores de Voduns de Benim ao Maranhão (Maranhão).

 

Origem -Ruth Pinheiro, presidente do Cadon, explicou que a ideia do prêmio surgiu após o II Fórum Nacional de Performance Negra, realizado em Salvador, em 2006, quando os próprios artistas pediram ao Ministério da Cultura um edital público ou linha de financiamento específicos, já que não havia alternativas que contemplassem expressões culturais afro-brasileiras. A partir daí a Fundação Palmares convidou o Cadon e junto com o patrocínio da Petrobras viabilizaram o atendimento à demanda. Segundo Ruth o prêmio é um “incentivo a artistas já existentes e permite o surgimento de novos. Funciona, ainda para aumentar a autoestima, na medida em que os grupos passam a ser seus próprios gestores e ganham autonomia”.