Rs=w:350,h:263,i:true,cg:true,ft:cover?cache=true Michael Moore, que compara EUA a Império Romano em novo filme para culpar ganância pelos problemas do país

Michael Moore começa o documentário "Capitalismo: Uma História de Amor", com cenas de um filme antigo sobre o Império Romano.

Ao explicar a decadência romana, insinua que a queda dos Estados Unidos está próxima.

Alternando imagens do imperador Nero e do ex-vice de George Bush, Dick Cheney, Moore diverte e promete o seu melhor: edição acelerada, pesquisa esperta de arquivo e humor escrachado e cartunesco.

Minutos depois, Moore pergunta a um amigo, o ator Wallace Shawn, o que é livre-iniciativa e capitalismo. O ator não dá conta do recado e se embaralha como Moore para explicar a crise do modelo americano.

Faltou economista ou acadêmico com boas ideias para dar luz a Moore. O filme tenta culpar o capitalismo (e a ganância ou ambição) por todas as desgraças recentes do país. Entrevista padres e bispos que explicam que o capitalismo vai contra as leis de Deus e da Igreja.

A crise financeira de 2008, que ceifou 8 milhões de empregos nos EUA e despejou milhares que não conseguiram pagar a hipoteca, é tratada como uma conspiração alarmista usada para arrancar dinheiro público para resgatar bancos.

O cineasta propõe sua versão de "um outro mundo é possível". Mostra uma pequena empresa que funciona como cooperativa, em que CEO e funcionários recebem o mesmo, e elogia quem vive de acordo com necessidades, e não ambições.

Cuba, Coreia do Norte e a China de Mao Tsé-tung também tentaram obrigar massas diversas a trabalhar e receber de forma igual, mas Moore parece desconhecer os resultados desses laboratórios.

Moore carrega nos elogios aos modelos europeu e japonês de bem-estar social. Nenhum comentário sobre ambos os sistemas não terem produzido crescimento nos últimos anos, deixando milhões de jovens desempregados e com discursos anti-imigrantes em alta.

Sociedade radicalizada

Para seus defensores, Moore é fruto da radicalização da sociedade americana surgida após os anos 60. Para se fazer entender, ele precisaria usar a mesma demagogia e simplificação intelectual de Sarah Palin.

Para atingir um público maior que o da TV estatal PBS, Moore adota recursos comuns na emissora ultraconservadora Fox News, como trilha sonora melô e histórias humanas pungentes que, no Brasil, são tônica de programas mundo-cão.

Ao ver a histeria antissolidária da classe média americana contra a universalização do plano de saúde e a retórica "os pobres que se virem", é difícil não achar que o cineasta seja um mal necessário. Ele mostra os efeitos do desmantelamento do Estado promovido por Ronald Reagan e os benefícios fiscais generosos aos mais ricos instituídos pelos republicanos.

Ao contrário de filmes anteriores, como "Tiros em Columbine" (2002), o documentário é arrastado, disperso e seus 127 minutos são inflacionados. Moore sua para o filme não degringolar e não perde oportunidade para se colocar diante da câmera. Há cenas em super-8 dele quando criança, uma entrevista com o pai dele e ele até tenta invadir bancos e seguradoras para prender banqueiros.

Ele isola a fachada da Bolsa de Valores de Nova York com uma fita amarela que diz "não passe, cena de crime" e estaciona um carro-forte diante de bancos dizendo que quer "de volta o dinheiro do contribuinte". No capitalismo de Moore, o cinema é que levou o prejuízo.

CAPITALISMO: UMA HISTÓRIA DE AMOR
Direção: Michael Moore
Quando: hoje (10), às 19h, e amanhã (11), às 17h, no Espaço Unibanco, segunda (12), às 19h30, no Cinemark Eldorado, em São Paulo; terça (13), às 19h, no Unibanco Arteplex e quinta (15), às 19h30, no Cinemark Downtown, no Rio
Classificação: não informada
Avaliação: ruim