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“Eu nem sei se posso ser chamado de artista”. Com a humildade típica do homem do sertão, o alagoano Paulo Soares, 54, nascido em Água Branca, pronunciou-se na abertura da exposição O Grito da Caatinga,  no Museu Palácio Floriano Peixoto (Mupa), centro de Maceió.

Como não seria artista? Há cinco anos, preocupado com a destruição da caatinga, Paulo peregrina pelas restingas de Água Branca e Delmiro Gouveia em busca de árvores mortas. São resquícios de uma floresta que teima em resistir ao avanço do fogo, machados e tratores.

Com a madeira, Paulo cria esculturas que trazem de volta animais e plantas do país. É a vida que ressurge com o joão de barro, o jegue, o jabuti. “Mas a minha intervenção é mínima. As formas vêm da natureza”, explica. Na mostra, que segue até 31 de maio, podem ser vistas 55 peças, em três dos salões do museu.

A exposição em Alagoas é uma realização da Secretaria de Estado da Cultura (Secult). A curadoria veio da Bahia, tem a assinatura de Juracy Marques, pesquisador do Núcleo de Estudos em Comunidades e Povos Tradicionais e Ações Socioambientais da Universidade Estadual da Bahia (Uneb).

Paulo, que é ecólogo, foi aluno de Juracy no curso de Ecologia Humana. “Eu vejo no Grito da Caatinga a ecologia profunda. Não está na razão, vem do coração, é carregada de sentimento”, define o baiano.

O secretário da Cultura, anfitrião na solenidade de abertura, destacou a importância do Museu Palácio Floriano Peixoto abrir suas portas para as mais diferentes propostas de arte. “Agora, recebemos as esculturas do Paulo, que trazem um apelo pelo meio ambiente. Em breve, teremos dois novos espaços, dedicados aos escritores Lêdo Ivo e Aurélio Buarque de Holanda. Queremos agregar experiências, histórias”, contou.

Sônia Lucena, servidora da Secult e responsável pelo apoio técnico dado à mostra, reforçou o papel do Grito da Caatinga em difundir a necessidade de propostas de educação ambiental e patrimonial no Estado. Afirmou ainda: “Na arte de Paulo Soares, compreende-se as razões que o levam à defesa e preservação de nossas florestas, um patrimônio que deve ser eterno”.

O Mupa, que tem a direção de Fernando Lôbo, funciona terça, quinta e sexta, das 8h às 17h; quarta, das 8h às 21h; sábados, domingos e feriados, das 13h às 17h. Entrada franca e visita monitorada. Mais informações: (82) 3315-7874