O suposto esquema de corrupção investigado pela Polícia Federal na Operação Castelo de Areia teria desviado dinheiro de obras públicas superfaturadas para abastecer contas ilegais no Uruguai, nas Ilhas Cayman, no Caribe, na Suíça e na Alemanha.

A Polícia Federal investiga há mais de um ano crimes financeiros supostamente cometidos pela construtora Camargo Corrêa. Por meio de interceptações telefônicas e escutas autorizadas judicialmente foram reunidos indícios de evasão de divisas, lavagem de dinheiro e corrupção.

De acordo com a PF, os alvos da operação são quatro diretores e duas secretárias da construtora, uma das maiores empreiteiras do país. Também tiveram a prisão decretada quatro doleiros.

Por ordem da Justiça Federal em São Paulo, policiais cumpriram logo cedo dez mandados de prisão na capital paulista e no Rio de Janeiro.

Ainda segundo a investigação, doleiros a serviço de executivos da empreiteira estariam utilizando empresas fantasmas e bancos oficiais para remeter milhões de dólares ao exterior ilegalmente.

Por meio de nota, a Camargo Corrêa disse que ainda não teve acesso ao teor do processo que autoriza a ação.

"O grupo reafirma que confia em seus diretores e funcionários e que repudia a forma como foi constituída a ação, atingindo e constrangendo a comunidade Camargo Corrêa e trazendo incalculáveis prejuízos à imagem de suas empresas." Ainda segundo a nota, em 2008, o grupo faturou cerca de R$ 16 bilhões.

Busca na construtora

A sede da Camargo Corrêa, na Zona Sul de São Paulo, amanheceu cercada. Funcionários foram proibidos de entrar em alguns andares. Policiais vasculharam escritórios atrás de indícios de crimes financeiros e de pagamentos ilegais a políticos e partidos políticos.

Diretores da construtora presos nesta quarta estariam, segundo a suspeita da policia, alimentando uma rede de corrupção com dinheiro desviado de obras publicas. Vários partidos políticos teriam recebido doações ilegais, de acordo com os indícios apurados pelos policiais federais e pela Procuradoria da República.