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No cinema de Pedro Almodóvar a principal força que move todos os personagens e filmes sobretudo para o passado (o recente Os Abraços Partidos, 2009) ou para uma ideia de futuro (Atame, 1989, vinte anos antes) é uma espécie de afeto que não pode ser classificado como doentio, porque este trata-se de uma forma de sentimento humano. Isto pode ser explicado de forma clara na entrevista que Almodóvar deu para o programa Roda Viva da TV Cultura, em 1995, onde ele não classifica seus filmes como transgressores simplesmente porque esta palavra não consta no seu vocabulário: esta palavra seria a prova exata e irredutível de que o diretor, segundo ele mesmo, acreditaria em conceitos religiosos que colocam seus filmes nessa categoria.

Por isso, o exagero do afeto é uma coisa cotidiana, é uma coisa cinemática – objeto sentimental inerente, sem fuga, comum, didático, até, nas relações. Cinemática no sentido de que é este mesmo afeto quem vai estruturar os filmes de Almodóvar através da viagem pelos gêneros, pelas atmosferas ou pela simples paixão de criar uma narração. Em todos os seus filmes, sejam eles o do período do despautério nos anos 80 e começo dos anos 90, ou da mudança de olhar para a sensibilidade artística muitas vezes mais do que evidente (ainda que neste novo olhar submeta-se ainda uma certa noção de absurdo) que ocorre a partir de A Flor do meu Segredo (1995) até os dias de hoje, Almodóvar não consegue reinventar a mola propulsora de suas tramas. A paixão está lá, sempre, como motivo para os thrillers, para os filmes noir, para a comédia ou para o melodrama sirkiano.

Paixão por personagens, por dramas. A oficina As leis do afeto: o cinema de Pedro Almodóvar observará os graus dessas paixões e como elas absorvem tudo, até mesmo os gêneros de cinema, que acabam por servir a um funcionamento particular, estético. Isso, claro, porque para Almodóvar todos os gêneros de cinema são palpáveis a partir da paixão.

Aula 1: Um dos últimos (primeiros) curtas: Salomé (1978); a concepção do afeto no despautério: Pepi, Luci, Bom y otras Chicas del Montón (1980); Labirinto de Paixões (1982); Maus Hábitos (1983); Que fiz eu para Merecer Isto? (1984). O afeto da morte: Matador (1986), A Lei do Desejo (1987); o afeto da comédia a partir do melodrama: Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos (1988), Atame (1989). Exibição de cenas dos filmes citados.

Aula 2: Obras intermediárias?: De Salto Alto (1991) – um rápido olhar para Bergman como presságio ao drama; Kika (1993), o mergulho no absurdo tardio almodovariano; A Flor do meu Segredo (1995), a sensibilidade desvelada. Exibição de cenas dos filmes citados.

Aula 3: O afeto como ciclo do melodrama, da vida e da morte: Carne Trêmula (1997), Tudo sobre Minha Mãe (1998) e Fale com Ela (2002). O filme noir revelado na paixão pela narrativa de cinema em Má Educação (2004); O retorno pelo afeto partido: Volver (2006); uma pausa para o retorno ao despautério: o afeto da fome do corpo em A Vereadora Antropófaga (2009); Todos os afetos: Os Abraços Partidos (2009). Exibição de cenas dos filmes citados.

DATA: 5, 12 e 19 de abril, às 19h, no Cine SESI Pajuçara.

INSCRIÇÕES: de 30 de março a 5 de abril, na bilheteria do Cine SESI.

INSTRUTORES: Ricardo Lessa e Ranieri Brandão