Ao som de músicas regionais os participantes da II Conferência Nacional de Cultura debatem propostas para nortear as diretrizes culturais do país. As discussões incluem temas como educação, acessibilidade, desenvolvimento, cultura e financiamento.Ao final da conferência serão estabelecidas 32 estratégias gerais.

As estratégias setoriais já estão definidas em cinco eixos, que tratam de temas como artesanato, dança, culturas afro-brasileiras, circo, moda, culturas populares e música. Na área do circo, por exemplo, está aprovada a proposta de criar um Sistema Nacional de Memória da Atividade Circense, para a documentação e preservação das atividades na área.

Em relação à cultura popular há as propostas de criar mecanismos de reconhecimento e regulamentação da profissão de mestre e também fazer o mapeamento, registro e documentação das manifestações culturais tradicionais e populares.

As propostas identificam a moda também como uma expressão da cultura e preveem a necessidade de organizar as memórias que formam identidade cultural, material e imaterial da moda brasileira.

A relação da cultura com os mais variados aspectos do nosso cotidiano fica clara nos debates ocorridos na manhã de hoje (14). Makota Kizanbendu, delegada estadual de Belo Horizonte, falou sobre a relação entre a cultura e as religiões afro-brasileiras e a moda.

“Fica difícil encaixar a cultura afro-brasileira em um segmento só. Não somos só religião de matriz africana, somos cultura de matriz africana onde a religiosidade está dentro dessa cultura. Não existe nenhuma religião que ensina a andar, se vestir, falar, comungar com as forças da natureza, e isso é também cultura”, explicou.

Questões regionais que envolvem a cultura também estão sendo discutidas. O grupo de Valmir Bispo Santos, superintendente da Secretaria de Cultura do Pará, construiu uma proposta que trata do custo da Amazônia na área cultural. A intenção é que o governo possa inserir nos editais, projetos e programas a concessão de recursos extras para que projetos de outros estados cheguem até a Amazônia

“Os grandes grupos teatrais financiados por empresas grandes chegam lá, mas um grupo teatral de uma cidade do interior do Rio de Janeiro que queira ir pra lá não tem menor condição com o custo do trasporte para a Amazônia”, explicou Valmir. A proposta defende também que os projetos culturais da Amazônia possam ter incentivo financeiro para chegar a outras regiões do país.

No eixo que trata da relação entre a cultura, educação e criatividade, os debates tocaram na necessidade de uma articulação mais estreita entre as escolas e a cultura. “É preciso pensar ações em que as escolas públicas sejam articuladoras das expressões de comunidade”, avalia o secretário de Cultura de Nova Iguaçu (RJ), Marcus Vinícius Faustini. A proposta que trata dessa integração prevê a capacitação de professores e a criação de cursos de graduação nas diversas linguagens artísticas e na área de gestão e produção cultural.