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Em Histórias de Amor Duram Apenas 90 Minutos, primeiro longa-metragem dirigido por Paulo Halm (roteirista de conhecidas produções nacionais como Guerra de Canudos e Pequeno Dicionário Amoroso), Caio Blat (O Ano em Que Meus Pais Saíram de Férias, Lavoura Arcaica) vive Zeca, um rapaz de 30 anos que tenta ser escritor, mas vive num cotidiano de ócio, cigarros e sexo.

Casado com a decidida e batalhadora Julia, interpretada por Maria Ribeiro (Tropa de Elite), sua mulher também fora das telas, ele vai se deparar com problemas na relação ao acreditar que sua esposa está tendo um caso extraconjugal com Carol, uma jovem sedutora argentina (Luz Cipriota) radicada no Rio de Janeiro. O fascínio pela suposta traição de Julia é tanto que Zeca também acaba se envolvendo com a moça, dando início a um intenso triângulo amoroso.

De clima intimista, ora passando pelo drama, ora andando pelas veredas da comédia, a produção se foca nas relações e nas personalidades dos personagens.

Em um hotel de São Paulo, Caio Blat, Maria Ribeiro e o diretor da história conversaram com o R7 sobre o filme, que estreia nesta sexta-feira (12). Abaixo, leia como foi este bate-papo.

R7 - Como surgiu a ideia para o filme?
Paulo Halm - Há muito tempo eu quero dirigir um longa, venho trabalhando como roteirista há vários anos e tinha esse projeto. Porém, me faltavam os recursos e os mecanismos para viabilizá-lo. Por coincidência, a Helô Rezende, minha sócia nesse trabalho, sempre esteve envolvida na produção de filmes para terceiros, mas estava com vontade de produzir um filme para ela. Um belo dia, ela perguntou se eu tinha algum roteiro nas mãos e eu entreguei o Histórias de Amor Duram Apenas 90 Minutos e mais dois. Ela sentiu que o texto tinha uma pegada de dialogar com a galera jovem e achou que seria o melhor produto para nós investirmos naquele momento. É um roteiro que eu escrevi em 2003 e gosto muito.


R7 - Por que a escolha do Caio Blat para o papel do Zeca?
Paulo Halm - Certa vez eu tive a oportunidade de vê-lo atuando durante a gravação de um filme e vi que ele era muito bom, que tinha uma vitalidade e um tesão em representar. Coincidentemente, era um personagem que tinha a idade do Caio que, geralmente, é chamado para fazer papéis de pessoas mais novas do que ele. Então, eu mandei o roteiro para ele, que leu, gostou e aceitou o convite.


R7 - E como foi a entrada da Maria [Ribeiro] no projeto?

Caio Blat - A princípio eu e a Maria fazemos de tudo para não misturar nossas carreiras. Tanto que ela é contratada da Record e eu, da Globo. Sempre que eu vou com ela nos lançamentos da Record o pessoal pergunta quando é que eu vou mudar de emissora e eu digo que primeiro vou fechar o contrato da Maria na Globo e, aí sim, mudo pra Record [risos]. Isso é um símbolo de preservação do espaço do outro. Nós nunca demos entrevistas juntos, nunca fizemos fotos para revistas na banheira de casa, por exemplo [risos]. Mas quando eu li esse roteiro, que é sobre a história de um casal que se envolve com uma terceira pessoa, achei que seria um grande barato fazer com a Maria. No dia seguinte, eu me encontrei com o Paulo e disse que o roteiro era sensacional, uma delícia, que era um filme que eu gostaria de ver, mas que eu adoraria fazê-lo com a minha mulher, pois acho que iria enriquecer as cenas, eu ficaria mais à vontade, pois tem muitas cenas de intimidade. Ele topou e fizemos.


Maria Ribeiro - Na verdade, o Caio achou melhor eu ficar com ciúme de uma pessoa só do que de duas e obrigou o Paulo a me chamar [risos].


R7 - Vocês também estão na produção do longa, por que quiseram fazer parte disso?

Caio - A maioria dos filmes que eu participo são produções pequenas. Eu adoro fazer filmes pequenos, cercados de amigos, de pessoas talentosas. E cada vez mais eu venho buscando participar de todas as etapas da realização dos projetos, então, nos associando a ele a gente ganhou mais liberdade para dar palpites, para trazer amigos para trabalhar junto. Nós formamos uma equipe cheia de pessoas talentosas, como a Renata Pinheiro, diretora de arte que montou todo o apartamento do casal, o Marquinhos, que fez a nossa maquiagem, nosso look. E isso é muito bom, mostra o quanto a gente acredita no filme.


R7 - Como foi para vocês filmar as cenas de nudez e de sexo?
Maria - Eu falei para o Paulo que a cena em que eu estivesse bem ele podia me mostrar.
Paulo - Não era a intenção nem minha, nem do filme expor ou violentar os atores. Eu procurei deixar o Caio, a Maria e a Luz bem à vontade e me foquei em tentar deixar as cenas bonitas visualmente. Na verdade, fui buscando coisas que expusessem os personagens, mas que não violentasse os atores que estão ali emprestando seus corpos. E por uma questão de cavalheirismo, o Caio acabou sendo mais exposto. Tanto é que tem bunda dele para todos os lados do longa [risos].
Maria - É engraçado que eu e o Caio achávamos que seria moleza a gente fazer cena de sexo, cena de beijo. Pensávamos que essas seriam as partes que nós não precisaríamos nos preocupar. Mas eu nunca fiquei tão travada. A gente ficou com muita vergonha.
Caio - O que acontece é o seguinte, quando você vai fazer uma cena com uma atriz que você não conhece, você sabe como vai ser, vai ser uma coisa absurdamente técnica, com tudo marcado e ensaiado. Aí eu chego no set para fazer uma cena de amor com a minha mulher e penso “vou dar um beijo técnico na minha própria mulher?”. Não, vou beijá-la de verdade e isso acaba revelando a nossa intimidade, que a gente sempre preservou. É esquisito. É mais constrangedor do que fazer tecnicamente.
Maria - Mas é um prazer também, eu penso que quando meu filho [ela e Caio são pais de Bento, de quase dois meses] tiver 25 anos ele vai gostar de ver.

R7 - Por que trazer uma atriz argentina para o papel de Carol?
Paulo - Como a gente quis pegar uma grana de patrocinadores argentinos, resolvemos transformar a personagem dela, que quando eu escrevi era uma brasileira, em portenha. O que foi um grande acerto dramático, pois ela ficou mais crível. A Luz tinha feito Déficit, um longa do Gael García Bernal, que eu já tinha assistido. Mandei o roteiro e ela aceitou, aprendeu a falar um pouco de português, se entregou para o trabalho.

R7 - O Zeca é um cara acomodado, não sai do lugar, bem ao contrário da Julia. O personagem dele foi criado como uma crítica a uma geração que não sabe muito bem o que quer da vida?
Paulo - Eu acho que é um pouco o drama do homem moderno. As mulheres estão se emancipando e os homens estão perdendo seus espaços. É uma das coisas do filme que se trata da percepção da própria sociedade. A mulher está mudando. Elas não precisam mais de nós para criar os filhos, por exemplo.
Maria - Acho que a Julia é o retrato da mulher moderna. O dia dela tinha várias fatias, não era 100% ele. E o Zeca tem uma coisa de herói romântico, um cara que ama o amor, que gosta de ficar deprimido. É um homem que não dialoga com a pessoa que está com ele e, sim, com um ideal de esperar a mulher perfeita. Eu tenho amigos que estão sempre assim, esperando a mulher ideal, esperando a hora certa de casar, de ter filho. E, na verdade, esses momentos certos não existem. Acho que a Julia tem menos medo do compromisso.

R7 - Vocês se inspiraram, de alguma forma, no filme Um Copo de Cólera (1999), que traz o também casal Alexandre Borges e Júlia Lemmertz em cenas de bastante intimidade e muita nudez?
Maria - A gente não viu para se inspirar, vimos antes e achamos incrível.
Caio - A ousadia da Júlia e do Alexandre foi bastante inspiradora. A gente pensava o tempo todo em como um casal que se expõe em uma obra de arte se protege. Isso nos serviu muito.