A governadora em exercício, desembargadora Elisabeth Carvalho, se reuniu nesta segunda-feira (8), no Salão de Despachos do Palácio República dos Palmares, com dirigentes de onze instituições superiores de ensinos público e privado. O objetivo foi convocar o segmento a investir em uma programação extra-curricular, que privilegie outras atividades para alunos, a exemplo de oficina de teatro, música e histórias infantis. O objetivo é combater a ociosidade e evitar que jovens, sobretudo da periferia, enveredem pelo mundo das drogas e criminalidade.

“É importante apostar em educação diferenciada para beneficiar crianças e jovens que lidam diretamente ou não com as drogas. A escola tem de ser preparada para interagir com alunos, por meio de oficinas de trabalho, leitura e contadores de história. Não podemos continuar com um Estado do tempo do governo Silvestre Péricles”, destacou Elisabeth, deixando patente que a convocação dos dirigentes foi respaldada pelo apelo de Vânia Teixeira, a líder comunitária da Favela Sururu de Capote.

De acordo com ela, Vânia teria se queixado de receber ameaças por parte dos traficantes do entorno da comunidade. A governadora em exercício aposta na adesão de empresários do ramo da educação, bem como dirigentes das instituições públicas de ensino, no sentido de investir na questão cultural, bem como na educação básica, como estratégia para minimizar a violência que ainda é expressiva no Estado. “A educação não pode ser separada da cultura. As instituições precisam levar aos jovens o amor à literatura, teatro e artes plásticas”, reforçou.

A governadora em exercício disse, ainda, que Alagoas não pode ser visto apenas como um Estado turístico, mas de avanços na questão cultural. “Em Maceió quem não gosta de praia, não tem opção cultural. Precisamos mudar isso”, destacou Elisabeth, reforçando que os teatros precisam ser abertos sempre nos fins de semana para visitação de nativos e visitantes. De acordo com ela, a população carente precisa ter acesso à cultura.

O historiador e vice-diretor do Centro de Estudos Superiores de Maceió (Cesmac), Douglas Apratto parabenizou a governadora em exercício pela iniciativa de convocar as instituições de ensino do Estado, uma vez que, segundo ele, educação e cultura não podem ser dissociadas uma da outra. “Alagoas tem alto índice de exclusão social e os alunos da rede pública não têm acesso aos bens culturais, que fazem parte da educação”, destacou Apratto.

Já o diretor geral do Cesmac, João Sampaio Filho, colocou a estrutura da instituição acadêmica à disposição do governo. “O Cesmac entende que a cultura é parte da formação do aluno e investe também na questão humanística. Não temos ajuda financeira de qualquer esfera governamental, mas reconhecemos que a universidade tem que ter responsabilidade com a cultura”, ponderou.

O representante da Faculdade Integrada Tiradentes (Fits), Dário Arcanjo, também se mostrou receptivo com a parceria proposta pelo governo. “Como educadores que somos, daremos nossa cota de contribuição, uma vez que desejamos conduzir nossa sociedade por melhores caminhos. Jà Edriene Teixeira, da Faculdade Estácio Fal, destacou que os pilares de uma educação de qualidade incluem, além de educação e cultura, o lazer e a saúde. “Para tanto é necessário desenvolver atividades de extensão junto aos alunos e comunidade”, completou.

A diretora geral da Faculdade da Cidade de Maceió (Facima), Ana Paula Nunes, disse que acredita no ensino transformador, que envolve a comunidade acadêmica como um todo e a circunvizinha. “Desde 2004 estamos com o projeto Desemprego Zero, com o objetivo de captar jovens do Canaã, Santa Lúcia e Serraria, com a promoção de cursos profissionalizantes e inclusão digital”, disse.

A reitora da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), Ana Dayse Dórea, disse que a interiorização da universidade é um dos mais importantes projetos da instituição, mas que está aberta a agregar outros. Paticiparam da reunião dirigentes da Fama, Uncisal, Academia Alagoana de Letras, Academia Maceioense de Letras, Academia Palmeirense de Letras e Faculdade Raimundo Marinho.