A mesma empolgação que Agnaldo Timóteo demonstra no palco, ele leva para conversa. A cada pergunta feita, demonstra uma vivacidade. Foge das respostas prontas, da falsa modéstia e dos discursos comuns.Se considera um dos dois cantores românticos de maior sucesso no Brasil (o outro é Roberto Carlos), lamenta que as gravadoras ainda não tenham apostado em gravações dele em espanhol e diz que nunca foi ousado para investir recursos próprios para pagar a execução das músicas, como, segundo ele, fez a Banda Calypso.“Para eles (Joelma e a Banda Calypso) foi ótimo porque abriu um leque de trabalho muito grande, com um cachê muito bom, foram bem pagos e valeu a pena. Mas nunca tive essa ousadia de gastar parte do meu patrimônio para poder pagar para executarem minha música e torná-las sucesso”, afirma. Quando o assunto é política, Agnaldo Timóteo chega a surpreender e defende o governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda. Segundo o cantor-vereador não há uma só campanha política que o candidato não precise da ajuda de amigos e empresários. Nessa afirmação, ele evoca até mesmo o testemunho do senador potiguar José Agripino Maia e da prefeita de Natal, Micarla de Sousa. “É uma coisa tão odiosa, desrespeitosa, mentirosa o que acontece em relação a ele (José Arruda) que chega a me deixar indignado. Um candidato aparecer com pacote de dinheiro na mão e fazer dele um chefe de quadrilha... José Agripino Maia, Micarla (Micarla de Sousa, prefeita de Natal), qual de nós faz campanha sem ajuda de amigos e de empresários?”, argumenta, para logo avisar: quem está condenando José Roberto Arruda, é a imprensa. “Quem pensa é o William Bonner, o Carlos Nascimento, Ricardo Boechat. São eles que pensam, o povo parou de pensar”, frisa. O convidado de hoje do 3 por 4 é um senhor de 73 anos, um jovem cantor com muitos planos, um homem romântico que se empolga ao falar de amor.

Com vocês, Agnaldo Timóteo:

O senhor lançou dois CDs “Obrigado São Paulo!” e “Agnaldo Timóteo Sempre”. O que o senhor quer dizer com “sempre”? Está querendo se eternizar?
Quero informar que esse título não foi escolhido por mim, foi selecionado pelo departamento de marketing da Som Livre. Gostei muito desse título. Você pode dizer “sempre Agnaldo Timóteo” ou “Agnaldo Timóteo sempre”. Eu estou vivendo um momento maravilhoso. O “Obrigado São Paulo” é uma música inédita do Luís Vieira, que fala de todos nós que estamos aqui em São Paulo, essa fantástica São Paulo que nos recebe sem nada nos exigir e nos permite consagração ou não, que fala do Sílvio Santos, do Roberto Carlos, do Caetano Veloso e principalmente do presidente Lula. Então, acho que é um CD que pode causar um belo impacto e me devolver, talvez, a uma maior execução musical pelo Brasil afora.

O senhor sente falta dessa maior execução nas rádios brasileiras? Onde foi a falha para perder espaço?
Lamentavelmente hoje nem o Roberto Carlos que é a maior celebridade da música em todos os tempos, até porque pertence a Rede Globo e ela (a Rede Globo) determina o nosso comportamento em todos os segmentos, no esporte, na música, no teatro, nem ele (Roberto Carlos) tem grande execução musical. Lamentavelmente, no transcorrer das décadas os jovens foram massacrados, doutrinados, alienados e passaram a gostar de porcaria ao invés de gostarem de música. Eu até me pergunto como esses meninos fazem quando vão para o motel com suas namoradas. Como eles namoram ouvindo funk, rap, axé? Não é possível! Música romântica determina o comportamento amoroso de duas pessoas.

Esse crédito ao “massacre da juventude” o senhor dá à Rede Globo?
Não. A todas as redes. Não há exceção, nem a Record, que no início passava a imagem de que se preocuparia muito com o aspecto religioso, continua o aspecto religioso, mas para competir teve que embarcar no mesmo tipo de programação, lamentavelmente. Vivo cobrando isso, desde 1987, a necessidade de melhor interação com os jovens, de uma linguagem mais facilmente absorvida pelos jovens.

No marketing de shows o senhor é definido como “o cantor romântico do Brasil”. O que é ser um cantor romântico?
Verdadeiramente hoje nós temos dois cantores românticos com algum destaque no Brasil: Roberto Carlos, que é essa celebridade, e Agnaldo Timóteo. Todos os meus colegas têm estilos distintos, um é sertanejo, outro é dupla sertaneja, o Reginaldo Rossi é cantor da alegria, porque mistura romântico com suas sacadas muito bem tiradas. Temos alguns outros cantores, mas romântico em grande destaque no Brasil nós temos Roberto Carlos e Agnaldo Timóteo. O que é romântico? Aquele que canta exclusivamente as canções de amor, exclusivamente canções de pessoas que estão apaixonadas, que estiveram apaixonadas ou que estarão apaixonadas. Nós somos cantores da relação entre seres humanos, homens e mulheres, homens e homens, mulheres e mulheres.

Existe música brega?
O que existem são cantores ruins. Eu gosto muito de citar o “Negue” que foi sucesso de Carlos Nobre que morreu e ninguém tomou conhecimento. “Negue seu amor e seu carinho” (ele canta trecho da música). Depois Nelson Gonçalves gravou e era uma música brega. Depois Maria Betânia gravou e aí a música se tornou uma música de elite. É preconceito babaca essa história de música cafona.

Em 45 anos de carreira, o que foi mais difícil para sobreviver neste mercado? Qual foi seu ponto alto?
Continua sendo o mais difícil se manter. Estava conversando há pouco tempo atrás (na última quarta-feira) com a “Mulher Filé”, que é uma menina simpaticíssima, mais que o talento dela é ter um corpo bonito porque ela ainda não sabe cantar, está aprendendo. A competição é impiedosa. Competimos com os meninos bonitos que as vezes não cantam nada. Com as meninas bonitas, uma é filha do fulano, outra é filha do beltrano. Eu continuar mantendo o razoável nível de popularidade é um milagre. A competição é impiedosa.

Há algum tempo o senhor lançou um CD de música sertaneja. O que o senhor pretendia com isso? A música sertaneja necessariamente é romântica?
Claro que sim, com raríssimas exceções todas as músicas sertanejas falam de histórias românticas e são cantadas por duplas. Isso foi uma sugestão do cantor pernambucano chamado Célio Roberto, que está completamente ausente da mídia. As portas estão totalmente fechadas (para Célio Roberto). Ele me sugeriu, insistiu e me deu repertório para eu fazer “Agnaldo Timóteo em sertanejo”. Gravei com entusiasmo, mas lamentavelmente não tocou, não foi sucesso. Não aconteceu 10% do que eu imaginava.

Então o que é necessário para um CD fazer sucesso?
Ou você tem muito dinheiro para pagar a promoção, como aconteceu com a Joelma e Banda Calypso, eles gastaram verdadeira fortuna para fazer parte do programa de televisão toda semana. Para eles (Joelma e Banda Calypso) foi ótimo porque abriu um leque de trabalho muito grande, com um cachê muito bom, foram bem pagos e valeu a pena.

Um cantor que chega aos 45 anos de carreira tem como meta o quê?
Primeiro vou gravar até junho um CD chamado “Agnaldo Timóteo minha oração”. Essa foi uma música que fez muito sucesso com Agustinho dos Santos, que nós perdemos em Paris, e vou regravar a música e mais 13 músicas que falam de amor, que falam de Jesus Cristo, que falam de Deus. Músicas religiosas sem rótulo. Esse CD precisa ser gravado até junho. Mas verdadeiramente meu grande sonho e minha grande frustração, aliás enorme frustração, é jamais haver feito sucesso cantando espanhol. Continuo sonhando.

Que explicação o senhor encontra para ainda não ter alcançado esse sucesso desejado cantando em espanhol?
As gravadoras as quais pertenci jamais se preocuparam em me oferecer o mínimo da necessária publicidade para me tornar um cantor conhecido na América Latina como aconteceu com Nelson Ned, com Roberto Carlos, que é a vedete nacional no exterior.

Que limite tênue há entre o cantor e o político (ele é vereador em São Paulo). Até que ponto o cantor se tornou político graças ao sucesso da música?
Eu acabei me envolvendo com política porque sempre tive e continuo tendo verdadeiro pavor a covardia, pavor a discriminação. Eu vi Leonel Brizola sendo odiosamente discriminado pelos seus adversários. Entrei no ar no programa O Povo na TV defendi Leonel Brizola e disse que iria ser candidato a deputado. Morreram de rir, mas fui para as ruas e me elegi deputado com 513 mil votos. Evidente que fui desrespeitado, ignorante, fui um verdadeiro babaca, mas terminei aprendendo com ex-presidentes da República que você tem que conviver com respeitabilidade com seus adversários.

O senhor não temeu decepcionar seus fãs com a política?
De maneira alguma até porque quando estou no palco cantando eu não falo de política. Até gostaria muito de saber de Micarla (Micarla de Sousa, prefeita de Natal) quando ela vai me levar para cantar para terceira idade de Natal. Mas quando estou na tribuna (da Câmara) eu falo de tudo, até do Arruda (José Roberto Arruda) eu falo. É uma coisa tão odiosa, desrespeitosa, mentirosa o que acontece em relação a ele (José Arruda) que chega a me deixar indignado. Um candidato aparecer com pacote de dinheiro na mão e fazer dele um chefe de quadrilha... José Agripino Maia, Micarla (Micarla de Sousa prefeita de Natal), qual de nós faz campanha sem ajuda de amigos e de empresários? Que se danem os caras que colocaram o dinheiro na meia. Estamos falando do governador que jamais apareceu em uma só imagem de maneira incorreta, de maneira corrupta. O que apareceu foi parlamentar recebendo um pacotinho, que afirmam ser dinheiro, mas poderia ser maconha, cocaína.

José Arruda está sendo injustiçado?
Completamente. Estão fazendo com ele o que fizeram com Celso Pitta. Pitta foi algemado. Cadê a fortuna do Pitta?

Essas suas declarações não são perigosas?
Ninguém condena Arruda. Quem condena é a Rede Globo, Bandeirantes, Record.

Detalhes

Sonho concretizado: ter sido um excelente filho e proporcionado à minha família uma vida com respeitabilidade.

Em que acredita: na proteção Divina. Não saio de casa sem pedir a proteção Divina e não durmo sem agradecer a proteção Divina.

Plano: ainda fazer sucesso cantando em espanhol. Eu canto muito em espanhol. Tem músicas que marcaram minha vida e foram gravadas por Luís Miguel.

Perfil

No início dos anos 1960, Agnaldo Timóteo, mineiro de Caratinga, começou a cantar nas rádios Inconfidência, Itatiaia, Mineira e Guarani, em Belo Horizonte. Começava aí os primeiros passos da carreira de cantor. Em 2010, ele completa 45 anos de atuação no mercado fonográfico. Dezenas são os CDs, os mais recentes são “Agnaldo Timóteo Sempre” e “Obrigado São Paulo / Obrigado Brasil”, ambos pela Som Livre. Agnaldo Timóteo concilia a carreira de cantor com a de político. Já foi deputado federal pelo Rio de Janeiro e atualmente é vereador na cidade de São Paulo.