Na sessão de hoje da Assembléia Legislativa, o líder da oposição, Paulo Fernandes, o Paulão (PT), criticou a não aplicação das medidas apresentadas no relatório da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) dos Combustíveis pelo governo estadual. De acordo com o deputado, as mudanças não foram adotadas porque o governador e a secretária de Fazenda são usineiros.

Para Paulão, que foi o autor do requerimento de criação da CPI, a comissão trabalhou dentro o possível e que apesar dos empresários alagoanos não ajudarem com denúncias como foi feito em outros estados, o relatório foi entregue ao Ministério Público há algum tempo.

“Essa casa cumpriu sua parte e o relatório final foi encaminhado ao MP. Resta saber se ele está apurando, se a Polícia Federal e o ministério Público Federal estão apurando. É necessário dar uma resposta a sociedade. Temos o pior combustível e o mais caro do país”, desabafou o parlamentar.

O petista ainda afirmou que não basta prender o “Zezinho” que adultera os combustíveis em bairro pobre, porque ele é um peixe pequeno. “O álcool é fabricado por usineiros. Agora, quando haverá coragem de se chegar ao autor intelectual das adulterações”, reclamou Paulão, dizendo ainda que apesar de ter garantido que iria implantar as medidas que a CPI solicitou, nem o governador Teotônio Vilela Filho e nem a secretária da Fazenda, Fernanda Vilela, as fizeram.

“Existe uma inoperância do poder estatal em exercer sua atividade fiscalizadora. Nem a Sefaz e nem o governo colocaram pelo menos os medidores de vazão nas destilarias. Será que é porque eles são usineiros?”, criticou.

Canal do Sertão

Paulão ainda comentou sobre a paralisação das obras do Canal do Sertão. Segundo ele, só ocorreu por conta de uma posição do Tribunal de Contas da União (TCU) em contraposto a uma construtora. “É preciso saber da celeridade da obra. Ela que estava prevista no começo por R$200 milhões, está em R$ 600 milhões e deverá concluir em R$ 1 bilhão”, disse.