Os tucanos aproveitaram a cerimônia de posse do novo secretário da Educação do Estado de São Paulo, o deputado e ex-ministro Paulo Renato Souza, para imprimir um caráter nacional ao evento, marcado por críticas ao governo federal e pela presença de representantes da oposição.

Diante de mais de 15 deputados federais, de praticamente todo o secretariado do governador José Serra, e dos presidentes do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), e do DEM, deputado Rodrigo Maia (RJ), Paulo Renato atacou a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, principalmente na educação.

"A banalização da esperteza, do compadrio, do loteamento político é assustadora nos últimos anos. Os episódios se repetem envolvendo desde o aparelhamento do Estado até o uso desassombrado do poder de polícia para intimidar e constranger adversários políticos", declarou Paulo Renato, que disse ter aceitado o convite em razão de um "compromisso partidário num momento delicado do País". De acordo com o novo secretário, viu-se "uma desaceleração (dos avanços na educação) durante o governo Lula". "Nos primeiros quatro anos nós praticamente não tivemos nada na educação." Para ele, que disse ter havido um "retrocesso" nos últimos dois anos, os petistas voltaram às políticas implementadas no governo de Fernando Henrique Cardoso, do qual foi ministro durante oito anos. "Mas os resultados são menos importantes." Procurado, o Ministério da Educação não rebateu as declarações.

O próprio governador disse que a cerimônia era "mais do que (uma posse) ministerial pela representatividade das pessoas presentes". Quando Serra começou o seu discurso, um militante do PSDB, conhecido como Chicão, gritou: "Futuro presidente". O governador rebateu: "Modera, Chicão".

Paulo Renato chega ao secretariado para dar força ao time de Serra na reta final de sua gestão. Um dos pré-candidatos do PSDB à eleição do ano que vem, o governador já fez três trocas em sua equipe neste ano. As duas anteriores foram nas áreas de Segurança, considerada uma das mais delicadas do governo, e de Desenvolvimento, para a qual foi indicado o ex-governador Geraldo Alckmin.

Em sua gestão no Ministério da Educação, Paulo Renato foi responsável pela criação de alguns sistemas de avaliação, como o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). "O sistema foi implantando com enorme resistência, às vezes até truculenta, dos que hoje tentam se apropriar (do sistema de avaliação) como se o mundo tivesse sido criado em 2003", afirmou o secretário, que assumiu o lugar de Maria Helena Guimarães de Castro.

Após a cerimônia, em entrevista, Paulo Renato voltou a criticar o governo federal. "Todos os indicadores mostram pelo menos uma desaceleração e sem dúvida ocorreu no governo Lula." O secretário citou especificamente o ensino médio. "É nele que estão os problemas mais importantes. A proporção de jovens fora da escola vem aumentando nos últimos anos. Precisamos entender o que está acontecendo no ensino médio." Questionado sobre como sua gestão ajudaria o PSDB, Paulo Renato afirmou: "Certamente estarei sendo observado aqui. Vou reforçar a imagem e a presença do PSDB na vida nacional."

Na cerimônia de ontem, na qual também estava o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), Serra afirmou que, em matéria de prédio, merenda, transporte, uniforme e material, a situação no Estado é de boa para excelente. "O governo do Estado tem 5.200 escolas. Se meio por cento tiver problemas, são 26 escolas. Dá uma matéria escandalosa a cada duas semanas", afirmou.