O ministro Gilmar Mendes, presidente do Supremo Tribunal Federal, está de saia justa. Foi assim que o secretário-geral do STF definiu para o procurador-geral de Justiça, Eduardo Tavares, a situação do ministro diante do imbróglio jurídico causado pelas denúncias da Operação Taturana - que afastou 1 terço dos deputados estaduais.

Segundo o procurador Eduardo Tavares, a questão agora é impedir que o ministro estenda sua sentença, que fez retornar dois dos deputados afastados, a segunda liminar do juiz Gustavo de Souza - que afastou a segunda leva de deputados denunciados por deviarem dinheiro do duodécimo da Assembléia.

Trata-se de questão complicada, porquanto a Justiça não deve agir com dois pesos para a mesma medida. Os dois deputados que conseguiram retornar por decisão monocrática do ministro Gilmar Mendes, de acordo com os autos, praticaram os mesmos crimes. Logo...

O secretário-geral do Supremo poderia ter definido a situação do ministro como numa sinuca de bico - aquela em que ou você toma uma atitude ou entrega o jogo. O ministro Gilmar Mendes estaria, na versão do procurador Eduardo Tavares, indeciso entre decidir segundo a lei - que deve ser igual para todos; ou protelar a decisão para se preservar diante da reação popular.

De tudo o que se disse e se diz; de tudo o que já se fez só uma coisa é certa: nada mudou. A Assembléia Legislativa permanece atropelando a sua contabilidade e o episódio recente, quando deixou de entregar ao INSS o dinheiro que recolheu dos servidores, mostra estar ainda muito distante de se acertar com as finanças.

É um Legislativo caro, quiçá o mais caro do País. E a demora do Supremo em decidir só agrava a situação.

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