Desde a última quinta-feira, o Rio Grande do Sul é governado à distância. Com receio de entregar o cargo máximo do Executivo ao desafeto Paulo Afonso Feijó, vice-governador, ou para um integrante da oposição, o presidente da Assembléia Legislativa, Iva Pavan (PT-RS), a governadora tucana Yeda Crusius viajou a San Francisco, nos Estados Unidos, sem nomear ninguém para substitui-la. As informações são do jornal Zero Hora.

De acordo com reportagem, a decisão de Yeda de evitar a transmissão do cargo foi amparada em um parecer da Procuradoria-Geral do Estado. Elaborado em 2007, o documento cita "a evolução tecnológica como argumento para que o governador exerça seu mandato de qualquer parte do mundo". Além desse parecer, uma liminar de 1992 retirou da Constituição Estadual a previsão de perda do cargo pelo governador que deixar o País sem transmiti-lo.

Segundo Zero Hora, poucos integrantes do governo tinham conhecimento da jornada da governadora nos Estados Unidos até o dia da viagem. Na própria agenda oficial da última quinta-feira não havia nenhuma referência ao deslocamento.

Assessores do vice-governador disseram à publicação que Paulo Feijó não está disposto a se manifestar sobre o fato. Segundo a assessoria, ele está no Uruguai e não foi informado da viagem de Yeda Crusius.

O presidente da Assembléia Legislativa, Ivan Pavan, disse a Zero Hora que a governadora não precisa transmitir o cargo do ponto de vista legal. E acrescentou que, sob o ponto de vista político, "é uma escolha que não cabe a ele comentar". No entanto, para a oposição, liderada pelo PT, a Assembléia foi desprestigiada pelo Piratini.

A previsão é de que a governadora retorne dos Estados Unidos, onde passa a Páscoa com alguns familiares, na noite deste domingo.