O governador de São Paulo, José Serra (PSDB), disse que "o Brasil tinha condições para sofrer impacto muito menor em relação à crise do que sofreu. E sofreu por causa da política monetária absolutamente errada que se desenvolveu ao longo deste período".

 

Em palestra em Nova York, em um evento em tributo à ex-primeira-dama Ruth Cardoso, ele afirmou que a política de juros, "em vez de colocar diques, barreiras à crise, colocou ventiladores".

 

Ao lado do governador de Minas Gerais, Aécio Neves, o governador de São Paulo é cotado como possível candidato do PSDB às eleições de 2010. Presente ao evento, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), a quem o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sucedeu, afirmou que o PSDB, neste momento, precisa buscar uma estratégia vencedora na composição da chapa que concorrerá.

 

Serra afirmou que está havendo "uma explosão de gastos correntes" e uma  para "política anticíclica com o dinheiro do próximo governo".

 

Sobre o momento em que a crise internacional estourou, o governador disse que país "tinha a moeda mega, hiper, supervalorizada. (Havia) pouca desvalorização, sem inflação por causa da deflação internacional. Tinha bancos públicos....", ponderou. "No meio de uma crise isso é um fator de maior estabilidade. Enfim, tinha várias condições para sofrer um impacto menor do que sofreu".

 

Serra ficou irritado ao ser questionado se o Brasil, diante do quadro traçado por ele na apresentação, teria realmente condições de colocar recursos à disposição do Fundo Monetário Internacional (FMI). A pergunta, avaliou, "não era do interesse geral" no seminário.

 

Durante a apresentação, o governador dedicou-se ainda a rebater as críticas que acusam a "administração Cardoso" de ter tido "medidas sociais pobres". Na administração do PSDB, segundo ele, as políticas sociais avançaram apesar das condições econômicas.

 

No único slide exposto para a plateia, ele mostrou um quadro com dados relativos aos anos da administração federal tucana, citando redução da mortalidade infantil, aumento do poder de compra do salário mínimo e redução das parcelas da população classificadas como pobre e extremamente pobre.

 

"O presidente Cardoso é constantemente acusado de focar em políticas de estabilização e privatização. Lula, ao contrário, é reconhecido (por ter) políticas sociais inovadoras e progressistas, preservando também a estabilidade monetária e o crescimento econômico. Na verdade, o governo Lula, em grande parte, deu continuidade às políticas sociais da administração anterior".