Oito meses depois de ser subestimado e sair diretamente em DVD, o filme "Guerra ao terror" ("The hurt locker", no original) ganha uma segunda chance e já tem data prevista para atingir os cinemas brasileiros: 5 de fevereiro. O que teria feito a distribuidora mudar de ideia tão radicalmente? Nada menos que três indicações ao Globo de Ouro.

 

"Depois que vieram as indicações, a empresa decidiu voltar atrás e relançar o filme nos cinemas", afirmou a assessoria da Imagem Filmes, responsável pela distribuição do longa-metragem no Brasil.

 

Dirigido pela americana Kathryn Bigelow, o filme de guerra vai concorrer ao Globo de Ouro nas categorias melhor longa dramático, direção e roteiro e já desponta como provável indicado ao Oscar. Se o feito for cumprido, Bigelow pode se tornar a primeira mulher a vencer a estatueta de melhor direção da Academia e, de quebra, pode concorrer com seu ex-marido, o cineasta James Cameron, da superprodução "Avatar". Os dois já estão disputando de igual para igual o prêmio de melhor diretor no Globo de Ouro.

 

Retrato da guerra do Iraque

Descrito pelo "The New York Times" como "o melhor filme americano já feito sobre a guerra do Iraque", "Guerra ao terror" revela a rotina massacrante do sargento William James (interpretado por Jeremy Renner), especializado em desativar bombas na zona de conflito. Ele é um profissional da guerra, mas não um herói convencional, já que troca facilmente medalhas pelo prazer de arriscar sua própria vida.

 

"A guerra é uma droga", anuncia o filme logo em seus primeiros minutos, e o que se segue é uma série de situações de violência e tensão, que o público acompanha pelos olhos do sargento. A direção de Kathryn Bigelow conduz a trama com elegância para um crescente suspense e traz uma visão humana da guerra sem cair em clichês.

 

O roteiro de Mark Boal (que também assinou "No vale das sombras", de Paul Haggis) é baseado em fatos reais, observados pelo jornalista durante seu período como correspondente na guerra do Iraque.